São Paulo, 07 (AE) - A doação de campanha atribuída ao presidente do TCM, Walter Abrahão, ainda não foi esclarecida pela Procuradoria Regional Eleitoral. A declaração entregue ao TRE pelo deputado estadual Jorge Luís Caruso (PMDB) registra duas doações com o nome e CPF de Abrahão que somam R$ 16 mil. Informado pela reportagem do fato, o presidente negou com veemência que tivesse doado algo. A partir da reportagem, a procuradora Alice Kanaan resolveu investigar o caso, que classificou de "provável fraude".
Caruso, um dos membros do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembléia, que investiga suposta falta de decoro do deputado e ex-vereador Hanna Garib (suspenso do PPB), é filho do vice-presidente do TCM, Antônio Carlos Caruso. Ele pediu desculpas a Abrahão pelo "erro de digitação" atribuído ao tesoureiro Reinaldo Tacconi e por não ter "prestado atenção" no documento. A procuradora Alice adiantou que, se houver responsável, será o deputado.
O tesoureiro Tacconi é também chefe de gabinete do vereador Antonio Goulart (PMDB). Era em seu nome que estava um caminhão apreendido pelo delegado Romeu Tuma Júnior, durante manifestação a favor do prefeito Celso Pitta, na frente da Câmara. Tuma Júnior abriu inquérito para apurar o caso. O veículo não tinha autorização para circular no centro, mas foi escoltado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Os ex-vereadores Abrahão e Caruso foram indicados conselheiros do TCM pela Câmara, durante a gestão de Paulo Maluf (1993-96). O presidente do TCM disse que já enviou à procuradoria, conforme solicitado por Alice, uma carta explicando o episódio. A procuradora fez a mesma solicitação ao deputado. Ela ainda não recebeu o processo de prestação de contas de Caruso, conforme solicitou ao TRE.
O presidente da Assembléia, Wanderley Macris (PSDB), e os líderes das bancadas, que poderiam solicitar uma investigação, preferiram ignorar o episódio da doação fantasma.

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