Curitiba- O Dignidade, um dos maiores grupos representativos de homossexuais do Paraná, comemorou ontem uma decisão da Justiça Federal, que nesta semana suspendeu uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A matéria estipula que homens que tiveram relações sexuais com outros homens nos 12 meses precedentes e/ou as parceiras sexuais destes sejam inabilitados por um ano como doadores de sangue.
''O Estado, sendo laico, não pode manter instituições que defendam medidas discriminatórias como essa'', afirmou Xênia Karoline Mello, coordenadora executiva da área de lésbicas do Grupo Dignidade. ''Já não existem grupos de risco. Hoje, a maioria das pessoas que são contaminadas pelo HIV é composta por mulheres com mais de 30 anos e casadas''.
A coordenadora comentou que a segurança nas transfusões de sangue deve considerar outros fatores. ''Achamos justo perguntar se o doador usa drogas, se tem vários parceiros, se usou preservativo na última relação. Mas colocar a orientação sexual como item desabonador é errado. Existem muitos homossexuais monogâmicos. Qual seria o problema no fato dessas pessoas doarem sangue?'', apontou Xênia.
O infectologista Alceu Fontana Pacheco Júnior acredita que a orientação sexual de doadores de sangue deve ser declarada. ''É discriminatório, mas pode ser necessário'', opinou Pacheco. ''Proporcionalmente, a incidência de doenças sexualmente transmissíveis entre homossexuais ainda é maior do que em relação ao restante da população''.
Wilmar Mendonça Guimarães, diretor do Centro de Hematologia do Paraná (Hemepar), disse que não foi notificado oficialmente sobre a decisão da Justiça. Ele afirmou que acatará a determinação, mas sugeriu que discorda da mudança. ''Lei não se discute, tem que cumprir. Mas eu acho que tudo que possa ser feito para aumentar a segurança nas transfusões deve ser feito'', disse o diretor.

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