A recicladora Rosângela Ferreira Diniz, de 40 anos, sempre manifestou o desejo de ser doadora de órgãos. A morte, porém, veio antes do que a família imaginava. Na tarde da última terça-feira, ela estava em uma Kombi que carregava trabalhadores da Cooperativa Ecorecin, com sede na zona leste de Londrina. Quando os catadores passavam pelo Jardim Ideal, também na zona leste, próximo ao Grêmio Literário, ela caiu do veículo em movimento.
Rosângela sofreu traumatismo craniano e não resistiu aos ferimentos; morreu na noite de quinta-feira no Hospital Evangélico. Em respeito à vontade da recicladora, a família autorizou a doação. Rins e o fígado foram encaminhados para a Central Estadual de Transplantes. "É um gesto nobre que todos nós da família pretendemos repetir. De alguma forma, ela continua viva", comentou a irmã Rosemeire Diniz Gomez, de 42 anos, durante o enterro, realizado no final da tarde de ontem na Capela 2 do Cemitério Jardim da Saudade, na zona norte.
Exemplos como o da família de Rosângela têm feito o número de transplantes aumentar nos últimos anos no Paraná. De 2010 a 2015, as doações de órgãos no Estado quase triplicaram, ao passar de 184 para 541 procedimentos. No ano passado, os 350 transplantes de rim foram maioria, equivalente a 64% do total. Em seguida aparece o transplante de fígado (132), coração (38) e pâncreas (21). A previsão é que este ano os dados tenham novo crescimento. Ao analisar os dados do primeiro bimestre, as doações gerais aumentaram passaram de 70 para 81, alta de 15%.
Segundo relatório da Central Estadual de Transplantes, a principal causa da não doação de órgãos diante de uma notificação é a recusa familiar. Em 2010, em 380 óbitos de potenciais doadores, 113 casos foram impedidos pela negativa da família. Já no ano passado, de 793 notificações, 195 não se concretizaram pela rejeição dos parentes. Apesar do maior número de negativas, a proporção diminui nos anos analisados.
Para a chefe da Central de Transplantes da Região Norte, Ogle Bacchi de Souza, as campanhas de conscientização devem ser realizadas constantemente, buscando quebrar preconceito e levar informação à população. "O desconhecimento pode fazer com que as pessoas deixem de doar e até aceitar os órgãos. Por isso, é importante informar todos os públicos, para que estejam sensibilizados e possam disseminar essa campanha", destacou.
A mãe de Rosângela, a dona de casa Cleuza Oliveira Diniz, de 65 anos, considera egoísmo deixar que os órgãos se percam. "Por que não doar e ajudar a salvar várias vidas ao invés de deixar se perder? Devemos sempre procurar fazer o bem", disse. Rosângela deixou três filhos e uma neta. A Delegacia de Acidentes de Trânsito de Londrina abriu inquérito para apurar as causas do desastre.

Imagem ilustrativa da imagem Doação de órgãos aumenta 194% em cinco anos no Paraná
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