DivulgaçãoMarcos Antonio de Souza se recupera de tranplanteAntes mesmo de entrar em vigor a nova lei que transforma todas as pessoas em doadoras presumidas - quem não quiser doar seus órgãos deve declarar previamente sua vontade -, os transplantes de córnea dobraram em Curitiba. A razão está numa providência simples: funcionários do Banco de Olhos passaram a realizar plantões no serviço funerário da cidade, atrás de doadores. Nos últimos três anos, o número de doações de córnea chegou a mais de 400 por ano, metade delas obtida por funcionários do Banco de Olhos.
O tempo de espera por um doador em Curitiba é hoje de dez meses, enquanto em São Paulo e Rio de Janeiro chega a dois anos. A redução no tempo de espera tem atraído pacientes de várias partes do País, e hoje a fila é de 450 pessoas.
Através de um convênio com a prefeitura, os voluntários do Banco de Olhos passaram a se revezar nos plantões do serviço funerário, abordando as famílias de pessoas que morreram há no máximo 12 horas, que são consultadas sobre a possibilidade de uma doação. ‘‘Isso é feito de maneira respeitosa. Caso haja resposta negativa, não insistimos’’, afirma Silvia Regina Gonzaga, secretária do Banco de Olhos.
Em 93, foram feitas 429 doações, contra 221 realizadas em 92, quando ainda não era feito o trabalho de captação de doações no serviço funerário. No ano passado, o número de doadores chegou a 415, dos quais 278 obtidos na abordagem feita junto as famílias no serviço funerário. Este ano, foram recebidas 33 doações, 18 delas graças a esse trabalho de convencimento das famílias.
O banco já realizou 2.800 transplantes, 80% deles pagos pelo SUS, e tem 42 mil pessoas cadastradas como doadores vivos. O transplantado não paga pela córnea. No caso de atendimento particular, o paciente paga apenas a cirurgia.
Uma pesquisa feita por estudantes de psicologia entre pessoas que perderam parentes próximos revela que a maioria não se lembra da importância da doação no momento do falecimento. ‘‘Mesmo havendo uma lei que facilita a doação, é preciso que a população seja conscientizada’’, afirma o oftalmologista Hamilton Moreira.
Há um ano na fila, o estudante Marcos Antonio de Souza, 19 anos, de Maringá, já faz planos para uma nova vida depois do transplante de córnea que fez em Curitiba. ‘‘Quero voltar a estudar, trabalhar, e ter uma vida normal’’, diz ele. Marcos sofria de ceratocone, deficiência em que a córnea assume a forma de um cone, perfurando o olho, causando dores e irritação. A doença é responsável por metade dos casos de transplante feitos em Curitiba.

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