Doação de alimentos evita saque a supermercado de Maceió
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Ricardo Rodrigues, especial para a AE 
Maceió, 14 (AE) - Cerca de cem trabalhadores rurais sem-terra tentaram saquear, hoje pela manhã, o supermercado Bom Preço, no centro de Maceió. A gerência do estabelecimento conseguiu evitar o saque doando 500 quilos de alimentos aos sem-terra, após negociar com lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Os sem-terra estão acampados na cidade desde a manifestação do Grito dos Excluídos, realizada no dia 7 de setembro. O coordenador do MST em Alagoas
Marcos Antônio dos Santos, o "Marron" disse que a possibilidade de tentativa de novos saques não foi descartada. "Enquanto tiver comida, a gente segura a tropa; mas quando faltar, não nos responsabilizaremos pelas consequências", disse. Diante desse quadro, a Polícia Militar de Alagoas já colocou de prontidão 700 homens para impedir novas tentativas de saques. Recursos - Mais de 1,8 mil trabalhadores sem-terra estão acampados em um ginásio de esportes de Maceió, localizado na frente da sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), aguardando a liberação dos R$ 12 milhões que o governo federal reservou para a reforma agrária no Estado, de um total de R$ 100 milhões para todo o País. "Queremos também a liberação de cestas básicas do Projeto Comunidade Solidária, que há quatro meses não recebemos", afirmou Marron.
As lideranças do MST têm audiência marcada para amanhã (15) com o superintendente do Incra em Alagoas, Ricardo Vitório. No encontro, eles vão pedir a agilização das vistorias de 38 áreas ocupadas, a liberação de recursos do Procera no valor de R$ 7.500 por família para 15 assentamentos e R$ 2 mil de custeio para cada uma dessas famílias, o que beneficiará cerca de 1,3 mil famílias assentadas.
O movimento reivindica ainda a liberação do crédito habitacional, fomento e alimentação para cerca de 800 famílias em oito assentamentos que até agora, segundo eles, nada receberam do governo federal. As negociações serão acompanhadas por várias entidades e devem contemplar também as reivindicações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que lidera duas ocupações na região da Zona da Mata do Estado. Polícia - O coronel José Braga de Farias Filho, comandante da Companhia de Policiamento da Capital (CPC), informou que 700 homens de sua corporação, com 53 viaturas, estão em plantão permanente. "Os sem-terra tentaram saquear o Bom Preço, mas graças a habilidade do gerente do supermercado, que negociou com as lideranças do MST, evitou-se o conflito. O clima, porém, continua tenso. Por isso, estamos de prontidão para evitar violência", disse o coronel Braga.
O representante do MST, Cristiano dos Santos, disse que os sem-terra decidiram pelo saque porque estavam sem alimentos desde segunda-feira. "As autoridades que se cuidem porque não estamos para brincadeira", advertiu. "Graças a Deus, o Bom Preço nos forneceu 500 quilos de alimentos, a Secretaria Estadual da Agricultura doou 200 bolsas de leite e recebemos de uma distribuidora de gás 11 botijões", afirmou. Segundo ele, os alimentos doados, no entanto, não resolvem a situação porque só devem durar três dias.


