Curitiba- A Sanepar deve começar ainda esta semana a fornecer água tratada para a população de Cidade do Leste, município paraguaio vizinho a Foz do Iguaçu. A empresa não cobrará nada pelo abastecimento, considerado emergencial, já que a população da região sofre com a escassez de água - o principal manancial da cidade, o Lago da República, está quase seco. Serão fornecidos entre 800 mil e 1,2 milhão de litros por dia, quantidade suficiente para atender as necessidades de 60 mil pessoas.
Ontem, o diretor-presidente da Sanepar, Stênio Jacob, se reuniu com o prefeito de Cidade do Leste, Javier Zacarias Irun, e o prefeito de Foz, Paulo Mac Donald Ghisi, para acertar os últimos detalhes sobre como será feito o abastecimento. De acordo com Jacob, a Sanepar produz 60 milhões de litros de água tratada por dia em Foz do Iguaçu, mas a capacidade de produção na cidade é de 80 milhões de litros por dia.
''Temos condições de ajudar e vamos fazer isso. O fornecimento é uma ajuda humanitária, para resolver uma situação de emergência, e será feito enquanto durar a estiagem em Cidade do Leste'', justificou Jacob. O diretor-presidente afirmou que esta é a primeira vez que a Sanepar oferece água para uma comunidade de fora do Paraná. A distribuição será administrada pela Prefeitura de Cidade do Leste.
A informação de que a Sanepar oferecerá água de graça para uma cidade estrangeira foi recebida com desconfiança por integrantes da oposição. ''É uma ação de solidariedade, então acho que não cabe mesmo nenhuma cobrança. Mas espero que a Sanepar demonstre a mesma boa vontade com a população pobre do Paraná, que não tem acesso a água tratada e/ou que não pode pagar'', comentou o deputado estadual Durval Amaral (PFL).
A Sanepar informou que fornece água tratada para aproximadamente 8 milhões de pessoas em 342 municípios paranaenses e 660 localidades (a população total do Estado é de cerca de 10 milhões de pessoas; ao todo, são 399 municípios) e que 315 mil famílias são atendidas pela Tarifa Social. Por mês, cerca de 5% dos usuários têm o abastecimento interrompido (corte temporário) e 2% têm o fornecimento suspenso (corte definitivo) por falta de pagamento. ''A dívida pode ser parcelada em até 36 vezes'', apontou Luiz Carlos da Silva, gerente comercial da empresa.

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