Do lado de fora da cadeia, clima era de espectativa
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Agência Estado 
Marie Hippenmeyer/France PresseFim da agoniaOs reféns só foram libertados após a remoção de dez presos para Suzano e outros dez para a Casa de DetençãoSÃO PAULO - Do lado de dentro dos cordões que isolavam a Rua David Rogatis, em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, havia uma parafernália de policiais, pastores-alemães, homens fortemente armados e mais de uma dezena de camburões. Do lado de fora, uma pequena multidão, composta principalmente por mulheres e crianças, acotovelava-se em busca de alguma informação, chorava e tentava contato com os 176 presos rebelados. Muitas mulheres dormiam ali mesmo, nas calçadas, desde domingo. Algumas trouxeram colchões e matavam a fome em uma padaria da esquina. Estamos aqui para tranquilizar os presos, disse Ivone Maria de Melo, de 30 anos, a espera de notícias do marido.
Estamos dormindo como mendigos, comentou Marli Bezerra de Oliveira, de 20, também preocupada com o companheiro. Pela manhã, a expectativa era de que os presos libertassem os reféns, conforme o trato feito com a polícia. Entretanto, quando reiniciram-se as negociações, os rebelados passaram a exigir a transferência de todos. Eles penduraram uma faixa pela janela exigindo a presença de jornalistas e ameçando matar um estuprador.
Às 11 horas, avisaram que matariam um preso a cada duas horas a partir das 14 horas caso não fossem transferidos. O Grupo Especial de Resgate (GER) foi acionado para invadir a cadeia às 16 horas. O delegado-titular da delegacia de Ferraz, Pedro Henrique Oliveira, informou que a situação estava tensa nos demais presídios da região porque as visitas também haviam sido suspensas enquanto durasse a rebelião. A situação só melhorou quando, pouco antes das 13 horas, cinco presos da Cadeia de Suzano foram levados para tentar negociar com os rebelados.


