Curitiba- O Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre (Dnit) decidiu ontem limitar o peso dos veículos que vão passar pela ponte intacta da BR-116, na represa Capivarí/Cachoeira. Caminhões com mais de 45 toneladas, o que segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF) representam 30% do fluxo de veículos de grande porte que trafegam pela rodovia, vão ter que pegar o desvio por Ponta Grossa, o que aumenta a viagem em cerca de 300 quilômetros, além de incluir de sete a nove praças de pedágio. Depois que a ponte sentido Paraná/São Paulo ruiu, na terça-feira a noite, o trânsito dos dois sentidos foi transferido para a ponte intacta, que também corre risco.
O inspetor da PRF, Vilson de Cristo, explicou que os policiais vão fazer barreiras na entrada do contorno leste, onde os veículos entrar para pegar a BR-116, e nos postos policiais. Em São Paulo e Santa Catarina os policiais rodoviários também vão orientar os caminhoneiros.
A limitação vai atingir basicamente os bitrens (caminhões bi-articulados). O inspetor Cristo explicou que sem esses caminhões é improvável que todos os veículos que passam juntos pela ponte chegem a dar o peso máximo.
Além de exigir a nota fiscal da carga, os policiais rodoviários terão que usar a experiência e o bom senso para identificar os caminhões acima de 45 toneladas. Isso porque a BR-116 não possui balanças e o Dnit informou que não poderá disponibilizá-las. O Dnit informou também que o bloqueio deve ser mantido até depois do carnaval, quando serão concluídos os trabalhos de contenção do aterro da ponte intacta. ''Vamos colocar grampos e barras de aço como medida preventiva e definitiva'', disse o coordenador do Dnit no Paraná, Rosalvo Gizzi. Os trabalhos devem começar hoje.
Em reportagem publicada na Folha ontem o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas (Setcepar), Aldo Fernando Klein Nunes, informou que o percurso adicional, por Ponta Grossa, representa R$ 675,00 a mais por viagem no custo do caminhão. E nesse custo não estão calculados os gastos com pedágio de sete a nove praças, desviando por Ponta Grossa. ''O aumento do percurso implica no aumento de seis horas o período de permanência do caminhão na estrada, o que aumenta os riscos'', afirmou.
Ontem o Ministério Público (MP) Federal iniciou a investigação criminal para apurar a responsabilidade pelo acidente. O deputado estadual José Domingos Scarpellini (PSB) também entregou ontem documentos ao procurador que mostram irregularidades na ponte. A denúncia já havia sido encaminhada anteriormente ao Ministério dos Transportes.

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