Dnit falha no controle de peso dos caminhões
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sexta-feira, 05 de agosto de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Caminhões com excesso de peso. Essa é a principal causa, segundo o Departamento Nacional de Infra-estrutura (Dnit), do mau estado das estradas e pontes brasileiras. Entretanto, a fiscalização do órgão para coibir o problema é falha. Dados do próprio departamento dão conta que das 82 balanças sob responsabilidade do órgão, apenas 15 (18,3% do total) estão funcionando efetivamente no Brasil. A legislação do País determina que o limite máximo de peso para caminhões bitrens (duas carretas, os maiores que circulam hoje) é 54 toneladas. O Dnit do Paraná chegou a flagrar um caminhão com 108 toneladas.
No Paraná existem cinco balanças sob cuidado público. Destas, apenas duas (40% do total) estão funcionando na BR-116, instaladas este ano em regime de emergência para controlar o excesso de peso sobre o que restou da ponte Capivari/Cachoeira, que caiu no final de janeiro. As outras três (duas do Dnit e uma do Departamento Estradas de Rodagem do Paraná - DER/PR) estão paradas. O Paraná tem mais outras dez balanças funcionando, mas todas com concessionárias, nas rodovias pedagiadas.
''O pavimento foi feito para suportar um limite máximo de carga. Quando ultrapassa esse limite o asfalto afunda e abre fissuras. E por menor que sejam estas fissuras, já são suficientes para a água infiltrar no asfalto. Daí a umidade oxida o asfalto, que perde suas características e começa a se soltar. E como a água continua entrando, mais o atrito dos pneus, o buraco aumenta'', explica o engenheiro civil e diretor do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronômia do Estado do Paraná (Crea-PR), Cladimor Lino Faé.
E não adianta apenas recuperar os estragos. Este ''processo de destruição'' pelo qual as estradas do País estão há muito tempo passando, defende o engenheiro civil e membro do Departamento de Controle de Desastres da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Mauro Lacerda, só se resolve com um controle maior sobre os caminhões e com o remodelamento das estradas brasileiras. ''É preciso investir em infra-estrutura. As estradas do Brasil são de 40, 50 anos atrás. É uma bobagem não investir em infra-estrutura porque sem isso aumenta o custo social'', defende o engenheiro.
''O projeto das estradas brasileiras previa limite de 30 toneladas. Mas nos anos 80 começaram a entrar no mercado veículos que transportam até 54 toneladas, o que já superou o limite de segurança. Agora está no limite próximo ao colapso'', afirma Lacerda.
Para o engenheiro o problema rodoviário do Brasil está na pouca importância, e consequentemente no pouco dinheiro, que o governo federal destina ao setor. ''O corpo técnido do Dnit tem feito o possível. Mas é preciso dar condições para trabalhar. Verba tem. É só destinar para este fim'', argumenta o engenheiro. ''Ou muda o modal e evita que se fabrique caminhões com capacidade para 54 toneladas no Brasil'', radicaliza o Lacerda.


