Dnit e UFPR se desentendem sobre ponte
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) decidiram se afastar dos estudos e trabalhos que vinham fazendo na ponte sobre a represa Capivari/Cachoeira, na BR-116, que desabou no último dia 25 de janeiro. O motivo alegado foi um desentendimento com a coordenação regional do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit-PR).
Desde a época do acidente professores especializados da UFPR estavam fazendo estudos no local. No último dia 15 o Dnit os convidou oficialmente para participar dos trabalhos de recuperação da ponte que ruiu. Um evento organizado pelas entidades representativas dos engenheiros debateu ontem em Curitiba as condições do sistema de transporte rodoviário no Paraná e contou com a participação do Dnit e da UFPR.
O desentendimento aconteceu entre o coordenador do Dnit-PR, Rosalvo Gizzi, e o engenheiro civil e professor da UFPR, Mauro Lacerda. O professor, junto com com outros membros do Centro de Apoio Científico em Desastres e do Setor de Tecnologia da UFPR, vinha acompanhando o caso e os trabalhos de recuperação, dando sugestões e dados sobre a ponte e principalmente sobre o terreno que apóia a ponte intacta, que está recebendo trabalhos de contenção para evitar um novo desmoronamento.
Lacerda não quis dizer qual foi o motivo da discussão. Já Gizzi se defendeu, apoiado pelo engenheiro contratado pelo Dnit para fazer o projeto de contenção do aterro, Viktor Baras, alegando que Lacerda vinha alarmando sem real motivo a população sobre o risco da outra ponte cair, falando até de interromper o tráfego.
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®MDNM¯ ''Tanto a UFPR quanto o Dnit são dois órgãos de imensa qualidade e não devem ser atingidos pela relação de duas pessoas. Apenas colocamos sugestões para melhorar os trabalhos. E nos afastamos porque não queremos prejudicar nada'', explicou o professor. ''Até semana passada vimos sinal de movimento no aterro e dissemos ao Dnit que era preciso muito cuidado'', completou. No evento realizado ontem na sede do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) Lacerda foi um dos palestrantes. Ele falou sobre segurança e afirmou que o conceito de segurança na engenharia no Brasil tem que mudar. ''Hoje se trata a questão como há 50 anos. No sitema viário não adianta só fazer reparos, como acontece. É preciso readaptá-lo para a nova realidade de tráfego'', afirmou.
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