DNA explica diversidade de aves na Amazônia
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quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Reinaldo José Lopes<br>Folhapress 
São Paulo - A Amazônia é o lar de um quinto das espécies de aves do planeta, uma diversidade tão estonteante que ainda desafia os biólogos que tentam entendê-la. Uma das explicações tradicionais é que os grandes rios da região criaram barreiras entre grupos dos bichos, levando-os a se transformar em espécies distintas com o passar do tempo. Mas um novo estudo indica que o processo real foi mais complexo.
Analisando o DNA de 27 tipos diferentes de aves da Amazônia e de regiões vizinhas, os pesquisadores dizem que, em geral, a origem de novas espécies não coincide com o surgimento de rios e de outras barreiras geográficas. Eles apontam que fatores como a capacidade de deslocamento dos bichos pela paisagem, a antiguidade de suas linhagens e os vaivéns do clima teriam sido importantes para criar a superabundância de espécies amazônicas, de tucanos a periquitos.
A pesquisa está na edição desta semana da revista científica "Nature" e tem entre seus autores o brasileiro Alexandre Aleixo, do Museu Paraense Emilio Goeldi. Ele afirma que os padrões detectados no caso das aves provavelmente se aplicam a outros grupos de animais da maior floresta tropical do mundo.
Para Aleixo, uma das chaves para entender essa diversidade é a capacidade de dispersão dos bichos. "Para alguns, a barreira é mais permeável, e de qualquer modo ela nunca é absoluta." A combinação de mudanças climáticas e desmatamento, no entanto, tem potencial para deixar populações muito pequenas ilhadas, destinadas à extinção, sem que tenham oportunidade para se expandir e gerar novas espécies mais tarde, como ocorria no passado.


