Maquiagem, roupa bonita, cabelos bem arrumados, sorriso permanente, crianças afagadas e beijadas, promessas de todos os tipos e tamanhos. Hoje é dia de decidir quem estará no Legislativo e no Executivo. Neste, pode sobrar um pouco de emoção para segundos turnos. Mas o que já aconteceu foi amostra suficiente para ver a urna como abrigo de esperanças e candidato como realizador de sonhos.
Cada um de nós possui características genéticas que nos inserem no rol da espécie humana, fora aquelas, individuais e exclusivas, que nos diferenciam um dos outros. Daí a precisão do exame de DNA, que estabelece o vínculo genético de maneira precisa, insofismável.
Hoje, quando as urnas recebem votos dos cidadãos brasileiros, vai se desenhar um novo vínculo. O padrão de DNA político revelará o que os eleitores esperam, em cima do que foi prometido e até mesmo assegurado. Já sabemos, de antemão, que o desejo predominante de todos não depende essencialmente de partidos, mas de programas, e projetos no lugar de nomes. O DNA de hoje lembra Guimarães Rosa: ''Sendo a vez, sendo a hora, entende, atende, toma tento, avança, peleja e faz''.
E sendo assim, fazer exige políticas públicas, a sociedade perceber que não pode resignar-se a ficar esperando apenas atos do Governo, e sensibilidade para não ignorar mais os bolsões de miséria que engolem 50 milhões de brasileiros. Enxergar, como se já se mostrou tanto aqui na Folha, a droga sedutora envolvendo jovens sem escola ou lazer, e ainda sem emprego, cooptados pelos traficantes.
Isso quer dizer colocar os que vivem à margem da sociedade e da lei com chance de trabalho e estudo, ver que esse modelo econômico é sinistro, impedir a proliferação de novos Elias Malucos. Porque toda essa mistura nos conduz à insegurança pública e à violência, onde morosidade e impunidade andam de mãos dadas.
Há duas semanas, um policial traficante de São Paulo, que tinha sido preso quando pretendia embarcar para a Holanda com quase um quilo e meio de cocaína, escapou por uma corda improvisada de mais um presídio esculhambado do Rio de Janeiro.
Há oito dias, a principal testemunha contra ele apareceu morta na cidade de Teresópolis. É por isso que em nosso País ninguém quer testemunha de nada. No rito formal, arranca-se o testemunho e abandona-se a testemunha à própria sorte. Esses são alguns dos ingredientes da situação em que vivemos, sob o manto do medo, jogando a responsabilidade uns nos outros.
Eleitor deve votar hoje e cobrar sempre; candidato deve afável e antenado durante o curso de todo o mandato, e não apenas em campanha. É este o DNA eletrônico das urnas. Não é mais uma questão isolada de estudar em laboratório o poliformismo genético e fazer um laudo. Fugir do DNA das urnas é trair compromissos, trair o eleitor, trair o povo. Seria Judas candidato e todos nós membros do Partido de Abel.
Que assim não seja.

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