O Departamento de Medicina Legal (DML) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) (SP) divulgou ontem o laudo que concluiu que a namorada do empresário Paulo César Farias, o PC, Suzana Marcolino da Silva, não poderia medir mais do que 1,57 metro. A Folha antecipou o resultado do laudo na edição de ontem. O documento, assinado pelo perito Ricardo Molina de Figueiredo, contradiz a versão oficial, apresentada por Fortunato Badan Palhares, para quem Suzana media 1,67 metro.
A estatura de Suzana é considerada fundamental para determinar a trajetória do tiro que causou a morte dele. A comprovação de que ela media 1,57 metro tornaria impossível a tese de suicídio. Nesse caso, a bala teria atingido a cabeça ou passado sobre o ombro. O novo laudo diz que Suzana deveria medir, no mínimo, 1,53 metro e, no máximo, 1,57 metro. Figueiredo, que é diretor do DML, realizou o estudo a pedido do promotor Luiz José Gomes de Vasconcelos, que reabriu as investigações em abril. O perito baseou-se em 13 fotografias fornecidas pelo promotor. Nas imagens, Suzana aparece em diversas posições e com diferentes sapatos, ao lado da irmã Ana Luíza, que media 1,63 metro, e de PC, que também tinha 1,63 metro.
O novo laudo confirma a versão de Daniel Munhoz, da USP, que apresentou um estudo afirmando que Suzana media 1,57 metro. Figueiredo, que é desafeto de Palhares, também assinou, com outros dez peritos, o laudo oficial que sustenta a versão de homicídio seguido de suicídio. Ele explica que na época, o trabalho dele limitou-se à análise de fitas com gravações de telefonemas feitos por Suzana. O diretor do DML disse ainda que não pode dar nenhum parecer sobre as prováveis circunstâncias em que PC e a namorada morreram. ‘‘Realizei um estudo técnico sobre fotografias e não posso ir além disso’’, explica. O perito deverá participar de uma acareação com Munhoz, em Maceió, no início de junho.

mockup