Divisão de Saúde investiga ligação entre meningite e vacina em Campinas9/Mar, 17:22 Por Clayton Levy Campinas, SP, 09 (AE) -A Divisão Regional de Saúde (DIR) de Campinas, órgão ligado à secretaria estadual de Saúde de São Paulo, anunciou hoje que fará uma investigação para esclarecer se há ligação entre o aumento de casos de meningite viral na cidade e a vacinação em massa contra a febre amarela, feita no mês passado. Segundo dados da DIR, foram registrados 80 casos da doença nos meses de janeiro e fevereiro, um aumento de 20% em relação ao mesmo período de anos anteriores. Mesmo assim, as autoridades não consideram que esteja ocorrendo um surto de meningite na cidade. "Existe uma evidente relação temporal entre a doença e a vacinação", disse o diretor da DIR, Marcelo de Carvalho Ramos. Segundo ele, vários lotes da vacina usada na região de Campinas serão enviados para o laboratório Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, responsável pela produção do imunizante. "Pedimos ao laboratório para fazer uma nova verificação nas vacinas", disse. Embora afirme ser apenas a uma "medida de segurança", Ramos não descarta a possibilidade de o aumento nos casos de meningite estar relacionado a um efeito colateral inesperado da vacinação. "Como as doses são produzidas com o vírus vivo enfraquecido, há sempre o risco de a toxidade viral ter ficado acima do normal", diz. Segundo ele, técnicos da Fiocruz e da Secretaria Estadual de Saúde deverão reunir-se amanhã (10), em São Paulo, para discutir o caso. Além da análise das vacinas, a DIR também está enviando para o laboratório Adolfo Lutz, em São Paulo, material colhido dos pacientes com meningite. Se as amostras revelarem a presença do vírus da febre amarela, será um indício de que os casos de meningite estariam relacionados a vacina. Os resultados, segundo Ramos, deverão ficar prontos em trinta dias. Não é a primeira vez que as autoridades de saúde investigam vacinas usadas em campanha na cidade. Em 1996, uma vacinação contra meningite provocou reações inesperadas em milhares de pessoas. Na época, os exames revelaram que as doses, produzidas pelo laboratório Biomanguinhos, apresentavam um índice de toxidade dez vezes maior do que o indicado. No caso da vacina contra a febre amarela, as suspeitas começaram a surgir depois da morte da estudante Katy Cristina Ramos, de 22 anos, em 27 de fevereiro, cinco dias depois de receber a dose. Ela começou a passar mal no mesmo dia em que recebeu a vacina em num dos postos de saúde da rede municipal de saúde. A superintendência do Hospital de Clínicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde a paciente ficou internada, está investigando se a morte estaria relacionada à vacina. Surto - De acordo com Ramos, o aumento de 20% nos casos de meningite viral não é suficiente para afirmar a existência de um surto na região.Segundo ele, esse quadro só é caracterizado quando o aumento inesperado da doença é causado pelo mesmo agente. "Só depois de identificarmos o vírus poderemos confirmar a existência ou não de um surto", explica. Apesar do aumento, a vacinação contra a febre amarela não será suspensa. "Não podemos tomar nenhuma medida precipitada nem criar alarmismo", disse. Segundo ele, embora não exista vacina contra a meningite viral, a doença é menos perigosa do que a causada por bactérias."Em média, os pacientes ficam curados em dez dias", garante.

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