Brasília, 12 (AE) - A dívida líquida de todo o setor público brasileiro já acumulava 41,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em novembro passado, o equivalente a R$ 378,271 bilhões, de acordo com dados divulgados hoje pelo Banco Central. Hoje, depois da desvalorização do real e da nova alta de juros promovida pelo BC em meados de janeiro para defender a moeda local, esse saldo é maior mas ainda não foi calculado. A meta do governo, anunciada pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, na semana passada, é estabilizar a dívida líquida em 46,5% do PIB em 2001.
O crescimento do volume de títulos públicos federais vendidos no mercado para financiar o déficit fiscal - o excesso de gastos dos três níveis de governo e estatais em relação às suas receitas - foi um dos principais fatores que influenciaram o comportamento da dívida líquida em relação ao PIB.
De acordo com os dados do BC, entre dezembro de 1994 e dezembro de 1998, o estoque de títulos públicos no mercado aumentou 424,2%. O salto foi de R$ 61,782 para R$ 323,860 bilhões.
Em consequência, ficou ainda maior o peso relativo da dívida interna líquida no endividamento total. Dos 41,9% do PIB alcançados pela dívida líquida total, 36% correspondem à dívida interna líquida (R$ 324,899 bilhões) e apenas 5,9% do PIB são da dívida líquida externa (R$ 53,373 bilhões).
Os juros pagos pelos governos para refinanciar a dívida interna junto ao mercado são bem mais elevados que aqueles assumidos perante os credores internacionais.
Os títulos pós-fixados representavam em dezembro passado 69,1% da dívida mobiliária federal (em títulos). Desse total, os papéis com claúsula de correção cambial somavam 21%.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, esse porcentual deverá crescer depois da desvalorização do real. O prazo médio dos papéis públicos federais fechou o ano de 1998 em 6,33 meses. Em novembro, o prazo médio era de 7,31 meses.

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