Dívida líquida do setor público cai em março
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Vânia Cristino e Soraya de Alencar 
Brasília, 14 (AE) - A dívida líquida do setor público caiu de R$ 500,8 bilhões em fevereiro para R$ 470,3 bilhões em março, informou hoje o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes. A queda de R$ 30,5 bilhões, segundo Lopes, deve-se à valorização do real no mês de março e ao superávit primário, de R$ 4,2 bilhões, também obtido no mês.
Com a queda, a relação da dívida líquida do setor público em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) também melhorou. Ela passou de 51,9% do PIB em fevereiro para 48,2% do PIB em março. Em dezembro passado a dívida líquida do setor público estava em R$ 388,6 bilhões, o equivalente a 42,6% do PIB.
Lopes classificou de "significativa" a redução, ressaltando que o valor obtido é bastante inferior ao da meta indicativa de R$ 505,7 bilhões (52,2% do PIB) estabelecida no acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No primeiro trimestre do ano, segundo nota divulgada pelo Banco Central, a dívida líquida do setor público apresentou crescimento de 5,6 pontos porcentuais em relação ao PIB. O principal motivo, de acordo com Lopes, foi a variação de 42%, observada na taxa de câmbio em janeiro, com a mudança do regime cambial.
O chefe do Depec explicou que, com a valorização do real verificada em março com relação aos dois meses anteriores, ocorreu a reversão do processo de crescimento da dívida. O impacto contábil da desvalorização do real sobre a dívida total em janeiro e fevereiro foi da ordem de R$ 102 bilhões.
Em março, só o efeito da valorização da taxa de câmbio sobre a dívida interna já reduziu, contabilmente, essa dívida em R$ 18,6 bilhões. O impacto sobre a dívida total, ou seja, a dívida interna e externa, é de R$ 38,8 bilhões, o que reduz para cerca de R$ 64 bilhões o crescimento da dívida total, contabilizado anteriormente.
Mobiliária - No mês de abril, a dívida mobiliária federal fora do Banco Central totalizou R$ 365,3 bilhões, com redução de 0,1% em relação ao mês de março. A redução de R$ 352 milhões demonstra, segundo o chefe do Depec, uma estabilidade no comportamento da dívida.
Lopes também destacou a mudança no perfil dos papéis colocados no mercado. O Banco Central vem detectando queda nos títulos indexados ao dólar e crescimento da participação dos papéis préfixados na composição total da dívida mobiliária.
Pelos dados distribuídos pelo BC, as colocações líquidas de LTN e BBC (papéis préfixados) passaram de 1,2% em março para 3% em abril. Lopes atribuiu essa elevação à tendência de queda nas taxas de juros, o que faz com que o mercado passe a aceitar melhor os títulos préfixados.
Já os títulos híbridos, ou seja, que são em parte pré-fixados e em parte pós-fixados, indexados à taxa over/selic tiveram sua participação reduzida de 68,2%, em março, para 67,3% do total, em abril.
O comportamento dos títulos indexados ao dólar não foi diferente. Eles também tiveram sua participação no total da dívida mobiliária federal fora do BC reduzida de 29,9%, em fevereiro, para 25,5% em março e 24,6% em abril. Segundo o BC a causa é a valorizaçãodo real verificada em março, que foi de 14 4% e de 3,3% em abril.


