Brasília, 13 (AE) - A dívida líquida do setor público em fevereiro chegou a R$ 500,78 bilhões, informou hoje o Banco Central. O crescimento, de R$ 112,12 bilhões de dezembro para fevereiro, decorreu da desvalorização cambial, explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), a dívida líquida do setor público, que representava em dezembro 42,6%, passou a representar em fevereiro 51,9%.
Em termos absolutos, a dívida líquida do setor público passou de R$ 388,66 bilhões no fim de dezembro para R$ 484,09 bilhões em janeiro, alcançando R$ 500,78 bilhões em fevereiro.
O salto maior, de acordo com Lopes, foi de dezembro para janeiro. Em fevereiro, a dívida líquida do setor público continuou apresentando crescimento, embora em ritmo bem menos acelerado. De janeiro para fevereiro, em termos de porcentual do PIB, a variação foi de 51,8% para 51,9%.
Embora seja alto o valor, o chefe do Departamento Econômico do BC ressaltou que a trajetória de crescimento da dívida é inferior à utilizada como base para o estabelecimento das metas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Nas metas com o FMI, o governo estimou que a dívida em janeiro alcançaria 53,2% do PIB (R$ 491,5 bilhões em termos absolutos), chegando a 54,1% em fevereiro (R$ 511,5 bilhões em termos absolutos).
Segundo o Banco Central, no primeiro bimestre do ano a dívida líquida do setor público apresentou crescimento de 9,3 pontos porcentuais em relação ao PIB, em razão, principalmente, da variação de 71% da taxa de câmbio.
A taxa de câmbio no dia anterior ao alargamento da banda cambial (12 de janeiro) era de R$ 1,21 por dólar, tendo alcançado R$ 2,064 por dólar no fim de fevereiro.
"A dívida interna, indexada ao dólar, e a dívida externa sofreram, consequentemente, um impacto dessa maginitude", destacou Lopes. O chefe do Depec explicou que, ao incorporar o efeito da desvalorização cambial, o objetivo do governo foi ser transparente para a sociedade.
Segundo ele, o impacto não se dá do ponto de vista econômico, pois o pagamento efetivo, ou seja, o resgate da dívida, ocorrerá nas datas de vencimento previstas e a taxas vigentes.
Segundo Lopes, a tendência para março é de reversão do processo de crescimento da dívida, uma vez que ocorreu durante o mês uma valorização cambial. Segundo o chefe do Depec, isso contribuirá para a redução significativa da dívida com relação ao PIB.
No acordo com o FMI, o governo comprometeu-se não apenas estabilizar, mas a reduzir o porcentual da dívida em relação ao PIB, que deverá estar em 46,5% em três anos.

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