Dívida externa do México cresceu 181% desde a crise dos anos 80
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
por Avelino Alves 
São Paulo, 27 (AE/IPS)- A dívida externa do México é hoje de US$ 161,3 bi ou 181,1% maior que no começo dos anos 80, quando o país decretou moratória de pagamentos. A informação é da Secretaria da Fazenda, pasta com status de ministério. O governo afirma que os compromissos vigentes não implicam riscos para a economia, mas os oposicionistas pensam diferente. A dívida atual, 25,5% das quais correspondente ao setor privado, é 8,2% superior à de dezembro de 97 e representa 40,3% do PIB de 98, informa a secretaria.
Atualmente, cada um dos 96 milhões de mexicanos deve US$ 1.608 por conceito de dívida, 96,3% mais que em 1980, quando o total chegava a US$ 57,3 bi e a população era de 70 mi de pessoas. Carlos Marichal, pesquisador e autor do livro "História da dívida externa da América Latina", disse que o peso da dívida impõe severos limites aos planos de desenvolvimento nacional e desperta ceticismo sobre o futuro de milhões de pessoas. O governo do presidente Ernesto Zedillo afirma que a dívida deste ano é manejável porque foi renegociada com prazos convenientes.
Porta-vozes informam que os pagamentos previstos para este e os dois próximos anos não serão problemáticos. Nas últimas duas décadas de programas de ajuste, o México passou de uma moratória de pagamentos de sua dívida, decretada em 1982, para vários episódios de refinanciamento. De 1980 a 1996 gastou pelo serviço da dívida cerca de US$ 215 bi, ou US$ 53,6 bi mais do que totaliza a atual dívida, segundo estudo do grupo Jubileu 2000, integrado pela Igreja, sindicatos e associações civis de 53 países que defendem o perdão da dívida.
Enrique Valencia, membro do Centro de Pesquisas da Universidade de Guadalajara, disse que o problema da dívida "configura um círculo vicioso que asfixia os mexicanos com condições de pagamento que impedem seu desenvolvimento". E acrescenta: "depois de anos de sacrifício e de duros ajustes se consegue pagar o serviço da dívida, mas o peso da mesma se mantém e é sempre preciso recorrer a novas renegociações e créditos para manter o serviço".
O oposicionista Partido da Revolução Democrática (PRD) pediu ao governo de Zedillo que reconheça que a divida externa é um problema grave e instou a administração a defender o perdão da mesma. Líderes do PRD dizem que se nas eleições presidenciais do próximo ano chegarem ao poder vão estabelecer uma nova relação com os credores e que a moratória não está descartada. No mês passado, o governo anunciou que discutirá no FMI um crédito que permitiria ao México, em meio a uma possível tormenta financeira mundial, garantir seus êxitos econômicos. Em diversos fóruns, a direção do FMI se declara satisfeita com o desempenho da economia mexicana, cujo produto interno se contraiu 6,2% em 95, para crescer 5,1% em 96, 6,8 em 97 e 4,8% no ano passado.


