Brasília, 5 (AE) - As reservas internacionais tiveram no mês passado um queda de US$ 1,740 bilhão e fecharam março em US$ 33,863 bilhões no conceito de liquidez internacional. Um dos motivos da redução foi o pagamento de aproximadamente US$ 300 milhões aos países do Clube de Paris na última quarta-feira e as interevenções feitas ao longo do mês para irrigar o mercado e conter a volatidade das cotações do dólar negociado no mercado doméstico.
O valor da perda é quase equivalente aos US$ 2 bilhões que o governo podia dispor dos recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI) para entrar no mercado no mês passado.
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, voltou a enfatizar hoje em entrevista à TV Globo que a autoridade monetária só entrará no mercado para conter a volatilidade do mercado. Ele deu esta resposta ao responder a uma indagação sobre a possibilidade de um dólar vir a ser cotado abaixo de um possível limite admissível pelo BC. "O mercado é que definirá a taxa", afirmou o diretor do BC que embarca amanhã (6) para Buenos Aires em companhia do diretor de Assuntos Internacionais do BC, Daniel Gleizer, para participar de encontros com investidores.
A pressão sobre as reservas, no entanto, tende a se intensificar neste mês de abril. O chefe do Departamento da Dívida Externa e Relações Internacionais (Derin) do BC, José Linaldo de Aguiar, confirmou hoje que serão pagos no próximo dia 15 o equivalente a US$ 1,092 bilhão de juros e principal sobre os bônus bradies da dívida externa emitidos em 1994. "A parte principal será de apenas US$ 54,3 milhões sobre um único título", disse o chefe do Derin.
O governo, além disso, ainda pagará outros US$ 51 milhões de juros e principal sobre os títulos da dívida externa emitidos pelo Brasil antes da renegociação feita em 1994.
FMI - O governo, em contrapartida, já terá disponível amanhã, em uma conta do BC do Brasil mantida junto ao Federal Reserve de Nova York, o equivalente a US$ 4,916 bilhões da segunda parcela do pacote de ajuda ao País montado pelo FMI num valor de US$ 41,5 bilhões. "Os recursos vão direto para as reservas internacionais", afirmou o chefe do Derin.
Na sexta-feira, o País passará a contar com mais US$ 4 923 bilhões liberados pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) e o Banco do Japão. O chefe do Derin, no entanto, disse acreditar que o valor das próximas tranches liberadas pelo FMI deverão ter um volume menor que estas duas iniciais. No total, o Brasil tem o direito de realizar mais 11 saques até o ano 2001.
O Brasil, no entanto, já começou a pagar juros sobre as parcelas liberadas pelo FMI. O chefe do Derin informou que no último dia 7 de fevereiro já foram pagos o equivalente a US$ 38 9 milhões. Ele também informou que no dia 7 de maio serão dispendidos outros US$ 84 milhões em valores de hoje.
Estes valores são corrigidos por estarem denominados na moeda do FMI, o Direito Especial de Saque (DES). Os juros pagos sobre os recursos repassados pelo FMI ao Brasil equivalem a 4% ao ano sobre o DES e são acrescidos em mais 300 pontos base nos recursos oriundos da linha de suplementação das reservas internacionais.
Limitações - Apesar da liberação dos recursos do FMI, o governo está comprometido a usar neste mês somente US$ 2 bilhões do dinheiro do fundo e mais cerca de US$ 500 milhões.
Estes US$ 500 milhões equivalem a cerca de 35% do total não usado pelo governo do limite de US$ 3 bilhões do FMI que podiam ser gastos com intervenções no mercado. Este total, no entanto, poderá ser aumentado caso o Brasil faça uma emissão de bônus da República neste mês. A expectativa é que esta emissão tenha um valor igual ou superior a US$ 1 bilhão.

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