Brasília, 20 (AE) - A dívida líquida do Tesouro Nacional em poder do mercado, em abril, passou para R$ 140,5 bilhões, o equivalente a 15,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Em março a dívida era de R$ 127 bilhões, equivalente a 14% do PIB. O crescimento de R$ 16 bilhões, segundo o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guimarães, tem que ser visto com cautela porque foi provocado pela troca de papéis do Banco Central pelos títulos do Tesouro Nacional.
"A dívida do Tesouro Nacional cresceu, mas a do Banco Central foi reduzida", explicou Guimarães. De acordo com o secretário o Tesouro colocou, no mês, R$ 11 bilhões a mais do que os títulos que estavam vencendo. "Estamos mudando o perfil da dívida e colocando papéis mais longos", disse o secretário.
O saldo da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna atingiu em abril R$ 255,5 bilhões, equivalente a 28,1% do PIB. Guimarães destacou a colocação de papéis pós-fixados (LFT) e préfixados (LTN), com alongamento do prazo de vencimento de 56 para 91 dias.
O aumento da participação relativa das LFTs em mercado passou de 31,8% em março, para 32,7% em abril. Os títulos indexados ao câmbio tiveram sua participação reduzida de 19%, em março, para 17% em abril.
Ao final de abril, segundo os dados divulgados por Guimarães, o saldo da dívida externa de responsabilidade do Tesouro Nacional totalizou R$ 100,3 bilhões, equivalentes a 11% do PIB. O saldo da dívida externa vem caindo substancialmente e reflete, segundo o secretário, o retorno da taxa de câmbio a patamares mais próximos dos de dezembro de 1998.
LTN - Guimarães explicou também o motivo que levou o Tesouro Nacional a não vender as LTNs ofertadas ao mercado hoje. Segundo ele, a demanda foi feita tendo como base taxas bastante dispersas, com movimento de alta, e o Tesouro preferiu não sancionar essas taxas. Guimarães admitiu que a volatilidade do mercado pode ter alguma relação com a Argentina.
Já com relação aos títulos pós-fixados (LFTs), o Tesouro vendeu todo o lote de R$ 2 bilhões.

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