Brasília, 26 (AE) - A dívida líquida do setor público aumentou R$ 7,89 bilhões no mês de junho em relação a maio, totalizando R$ 491,06 bilhões. Com esta elevação, o percentual da dívida com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) passou de 49,5% em maio para 49,8% em junho. Os números foram divulgados hoje pelo Banco Central.
O chefe do departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes, destacou que embora esteja R$ 23,2 bilhões abaixo da trajetória acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI)
a dívida líquida do setor público deverá ter um comportamento ascendente até o final do ano. "Deveremos encerrar o ano com a dívida representando um percentual de 51% do PIB", disse Altamir.
Lopes explicou que isso acontecerá devido a incorporação de juros e impacto da desvalorização cambial. Segundo ele o superávit primário que está sendo obtido pelo setor público vem contribuindo para um crescimento menor da dívida. Para que a dívida pare de crescer e depois comece a cair, Lopes frisou que serão necessários superávits ainda maiores.
Para o chefe do Depec, só no ano que vem, devido também ao crescimento econômico esperado, é que a relação da dívida com o PIB começará a se estabilizar. "Em algum momento do ano 2000 a dívida estará estabilizada com relação ao PIB", afirmou. Só depois disso, segundo Lopes é que a sua relação começará a cair até chegar a pelo menos 46% do PIB no final de 2001.
Em junho, por exemplo, as despesas com juros nominais alcançaram R$ 8,4 bilhões. Parte dela, segundo o Banco Central, deve-se à desvalorização cambial de 2,6% ocorrida no mês e que incide sobre a dívida mobiliária federal indexada ao câmbio, que é 24% do total, e também sobre a dívida externa líquida. O restante é devido à taxa de juros efetiva praticada no mês, que foi de 1,67%.
No mês de julho, a dívida mobiliária federal fora do Banco Central alcançou R$ 384,2 bilhões, um crescimento de 0,3% em relação ao mês anterior. De acordo com o BC o governo manteve a trajetória de crescimento do volume de títulos prefixados, que passaram de 8,1% do total da dívida em junho para 10,7% em julho
devido às colocações líquidas de Letras do Tesouro Nacional (LTN) e de Bônus do Banco Central (BBC).
A participação dos títulos pós-fixados reduziu-se de 64% em junho para 61,3% em julho. A pequena elevação da participação de papéis indexados ao câmbio, de 24% para 24,3%, foi atribuída pelo Banco Central à desvalorização cambial ocorrida no período. "Não houve crescimento do estoque de títulos cambiais", disse Lopes. Segundo ele, enquanto o Banco Central reduziu de R$ 93,1 bilhões para R$ 90,0 bilhões a participação de seus títulos no mercado, os títulos de responsabilidade do Tesouro Nacional passaram de R$ 289,98 bilhões para R$ 294,13 bilhões.

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