Diversificação é saída para crise
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de maio de 1997
Mônica Venson Especial para o Ponte 
Adaptar-se as mudanças de mercado e encontrar alternativas para superar a crise. Com esta visão alguns donos de exportadoras de Foz do Iguaçu, que tinham como principal atividade a venda de produtos brasileiros para o Paraguai, encontraram uma saída para evitar a demissão de funcionários e a falência.
Segundo o diretor do setor de exportação da Associação Comercial de Foz do Iguaçu (Acifi), Ali Osman, das 400 exportadoras cadastradas, somente 80 continuam em atividade na região da Vila Portes (bairro de Foz do Iguaçu onde se concentram as exportadoras). Hoje 80% das lojas onde estavam as exportadoras, encontra-se lanchonetes, estacionamento para carros e ônibus de turismo ou restaurantes comenta Osman.
Para os que não mudaram de ramo de atividade, a principal alternativa encontrada foi buscar no mercado brasileiro novos clientes. Promoções, maiores prazos de pagamento, cheques pré-datados e principalmente, trocar as grandes vendas no atacado pelas vendas no varejo foram as soluções encontrada para atrair a clientela brasileira.
Segundo Edemar José da Silva, gerente da Amarisol Tecidos e Confecções, há cinco anos as grandes vendas, mais de 95% do total, eram destinadas ao mercado paraguaio, em abril este o número não passou de 10%. Quem não se adaptou ao novo mercado teve que fechar. Hoje a venda da loja é dirigida à classe média baixa da cidade e ao comerciantes da Região Oeste do Paraná que compram em média 12 peças de cada produto, afirma Silva. As vendas para pequenos comerciantes da região representaram no primeiro semestre deste ano 30% do faturamento da loja.
Depois do Plano Real o mercado paraguaio sofreu uma retração e as características mudaram completamente. Aproveitando as facilidades do Mercosul, os grandes fabricantes abriram representações em Assunção, capital do Paraguai, exportando seus produtos sem custo nenhum, provocando a falência das exportadoras que atuavam na fronteira e ganhavam com a defasagem da moeda brasileira em relação ao dólar.
Segundo Elio Nomura, gerente da Mundial Free Shop, loja que faz parte do grupo WHL Exportação, a saída encontrada pelo grupo foi diversificar as atividades. A alternativa foi abrir uma empresa destinada ao mercado brasileiro e outra importadora em Ciudad del Este, além de continuar com as atividades da exportadora.
No mercado interno o grupo assimilou a idéia do sistema free shop, pelo qual todos os produtos são vendidos por um preço único de R$ 1,99. Hoje este sistema pode ser considerada um grande filão de mercado, já que com a inflação controlada pode-se vender produtos com margem de lucro mínima e ganhar na rotatividade das vendas, completa Nomura.
Com a importadora em Ciudad del Este, algumas exportadoras da região da Vila Portes conseguiram se adaptar ao Mercosul e colocar os produtos, que antes eram vendidos nas lojas, a preços mais competitivos.
Algumas exportadoras de Foz se transferiram para Assunção ou Ciudad del Este, onde conseguem colocar suas mercadorias no mercado paraguaio a preços competitivos capazes de concorrer com os produtos de origem asiática que estão dominando o mercado mundial. Quem não soube se adapatar às novas condições do mercado teve mesmo que fechar as portas, nosso grupo conseguiu ver uma luz no fim do túnel, completa Nomura.


