Diversas escolas usaram símbolos religiosos no desfile
Diversas escolas usaram símbolos religiosos no desfile4/Mar, 15:23 Por Maurício Moraes e Valéria Rossi São Paulo, 4 (AE) - Várias escolas usaram símbolos religiosos, como imagens de santos e cruzes, em alegorias nos seus desfiles. A águia de Ouro, que teve de modificar um de seus carros pela oposição da Arquidiocese de São Paulo e da Tradição, Família e Propriedade (TFP), acabou como a única prejudicada no primeiro dia de apresentação do Grupo Especial. O carnavalesco Paulo Fuhro havia criado uma réplica da Pietà, de Michelangelo, mas, em vez do Cristo, a Virgem Maria segurava nos braços um índio morto. A polêmica que cercou a escola da Pompéia nos últimos dias levou o carnavalesco a alterar a estátua. A imagem da Virgem foi trocada pela de uma índia. A Camisa Verde e Branco, contudo, desfilou com a figura de Nossa Senhora da Conceição na frente do terceiro carro. "Mantivemos o segredo a sete chaves para que este fosse o nosso ponto alto na avenida", afirmou o diretor artístico Rodrigo Siqueira. A alegoria mostrava a primeira santa trazida para o Brasil e a primeira igreja do País. "Procuramos não abusar do lado religioso, dando maior destaque para o enredo", explicou o diretor. Em outro carro, foi construída uma estátua gigante do Padre Anchieta. Cristo - A Leandro de Itaquera desfilou com um carro alegórico onde apareciam três cruzes. Em uma delas havia um modelo pendurado como se fosse o Cristo. Outro exibia a imagem de um anjo gigante. Na X-9 Paulistana, integrantes vestidos de frade seguiam em uma das alas carregando várias cruzes. O presidente da águia de Ouro e da Liga Independente das Escolas de Samba, Sidnei Carrioulo, sentiu-se prejudicado com a polêmica em torno da imagem da Virgem segurando o índio. "Acabamos tirando todos os símbolos religiosos da nossa escola", lamentou. "Fizemos um desfile técnico, suficiente para um bom espetáculo." "Autoritarismo" - Espectadores criticaram a posição da Igreja e da TFP e consideraram a decisão da Justiça uma forma de censura. "Em pleno ano 2000 não podemos aceitar esse tipo de retaliação", disse o empresário Juarez Francisco Marcondes, de 45 anos. Ele disse temer que esse tipo de intervenção se torne frequente. "Só falta voltar a época da ditadura." Para Marcondes, a determinação da Justiça compromete todas as escolas que passam a ficar "à mercê do autoritarismo". A professora Regina Cardoso, de 28 anos, também contestou a atitude da Justiça em favor da Igreja e da TFP. "Carnaval é a manifestação mais espontânea do povo", afirmou. "Temos liberdade para elogiar e criticar aquilo que bem entendemos." "Inverdade" - Até mesmo integrantes das outras escolas defenderam a águia de Ouro. "Impedindo a águia de desfilar com a Virgem Maria, a Justiça está obrigando a escola a passar uma inverdade para o público", disse o carnavalesco da Mocidade Alegre, Wagner Santos. Ele disse que as escolas devem contar uma história e não alterá-la, como teve de fazer a águia de Ouro, por causa da liminar. Alguns destaques do carnaval, como a atriz Leila Lopes, passista da Camisa Verde e Branco, mostraram indignação. "Isso ocorreu só porque a Virgem Maria estava segurando um índio", ressaltou. "Índio também é gente." Ela considerou a atitude da Igreja preconceituosa.





