Brasília, 25 (AE) - A resistência do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) em aceitar que a venda de armas de cano longo seja permitida poderá ameaçar a aprovação do projeto de lei - apoiada pelo governo - que restringe a comercialização de armas no País. Hoje os presidentes das Comissões de Relações Exteriores (CRE) e de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), José Sarney (PMDB-AP) e José Agripino Maia (PFL-RN) retiraram a proposta da pauta de votação e amanhã (26) a questão será discutida pelos líderes no Senado.
Calheiros é o relator do projeto na CCJ e defende a proibição total da venda de armamentos no País, exceto para empresas de vigilância e de transporte de valores, forças armadas, efetivo policial, clubes de tiro, clubes de caça, guardas municipais e agentes de trânsito. O senador Pedro Piva (PSDB-SP) é o relator da proposta na CRE. Ele aceita o parecer de Calheiros, propondo apenas a manutenção da venda de armas longas.
Os dois se reuniram hoje e vão insistir com os líderes para que pressionem Sarney e Agripino a colocar a matéria em votação, mesmo sem posição consensual. O temor dos relatores é que, caso a proposta seja retirada da convocação extraordinária, o tema acabe engavetado. "Usando um dito popular, é melhor viver um fim com horror do que um horror sem fim", disse Pedro Piva, se referindo à possibilidade de confronto. "Já avançaremos em conseguir que não se desperdice esta convocação extraordinária", afirmou Renan Calheiros.
Na reunião de hoje, Pedro Piva admitiu abrir mão da proposta de manter o direito dos atuais donos de armas de não devolverem os armamentos para o governo federal, desde que Calheiros aceitasse a liberação das armas longas, mas o senador peemedebista rejeitou a solução, argumentando que esta concessão descaracteriza o projeto.
A tendência dos senadores é de não aceitar uma proposta que proíba inteiramente a venda de armas para civis. O PFL, com 23 senadores, e o PSDB, com 13, reuniram suas bancadas na semana passada e rejeitaram a restrição quase por unanimidade. Apenas três parlamentares ficaram solidários com a proposta governista, de autoria do líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). Os quatorze senadores oposicionistas estão divididos sobre o tema e o PMDB, com 26 senadores, ainda não reuniu sua bancada, mas Pedro Simon (RS), José Fogaça (RS), Íris Rezende (GO), Maguito Vilella (GO) e Roberto Requião (PR) já adiantaram ser contra a proposta governista, que conta com o apoio aberto de Calheiros e dos senadores Gérson Camata (ES) e Ney Suassuna (PB).

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