Divergências entre Menem e Roque Fernández intensificam crise argentina
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terça-feira, 17 de agosto de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 18 (AE) - A pouco mais de dois meses das eleições presidenciais argentinas, as divergências entre a Casa Rosada e o Ministério da Economia estão se intensificando e já correm rumores de renúncia do vice-ministro de economia, Pablo Guidotti. A pressão sobre o ministro Roque Fernández, para que assine a redução do imposto sobre o diesel usado no trasporte de produtos agrícolas e no transporte urbano aumentou, mas o ministro se nega a fazê-lo.
O chefe de gabinete da Casa Rosada, Jorge Rodríguez, quer ainda que Fernández assine a autorização de financiamento para a construção de outros dois projetos (Canal Federal e a ampliação de uma hidrovia) pessoais do presidente Carlos Menem. Porém, Roque Fernández disse que é necessário analisar melhor essas propostas e que não vai assinar nada que não conheça e que não tenha saído de seu ministério.
Ontem à noite, no Senado, o ministro reafirmou que não está disposto a assinar nenhum dos três projetos, a não ser que sejam introduzidas as mudanças que ele propôs. Sobre o diesel, Fernández disse, por exemplo, que "não se pode beneficiar um setor em detrimento de outros". O ministro e o seu vice-ministro acreditam que será impossível controlar a redução do imposto sobre o diesel e ainda o governo corre o risco de perder arrecadação com o aumento da sonegação.
Com relação à construção do Canal Federal, que prevê levar água da Província de Tucuman às regiões de La Rioja e Catamarca, e da ampliação hidrovia entre os rios Uruguai e Paraná, o ministro disse que elas vão na contramão dos argumentos do Ministério de Economia. Essas obras teriam um custo adicional de US$ 300 milhões sobre o orçamento do governo. Diante da atitude do ministro, o presidente Carlos Menem teria dito, no final de semama passado, que a opinião de Roque Fernández sobre o diesel não era a opinião do governo federal e a construação do Canal Hederal e a ampliaçào da hidrovia seriam realizadas, apesar do "portenhismo" de alguns.


