Distúrbios alimentares afetam 1% das mulheres
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sábado, 20 de setembro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Somente 30% das adolescentes com distúrbios de alimentação como anorexia (perda exagerada de peso devido à falta voluntária de alimentação) e bulimia (alimentação em excesso seguida de vômito forçado) sujeitas a tratamento têm sucesso na cura, de acordo com a mestre em psicologia pela Universidade de São Paulo (USP) e professora da Universidade Tuiuti Paraná Denise Heller. Estima-se que pelo menos 1% da população feminina mundial sofra de um desses dois males, popularizados entre jovens com idade entre 14 e 25 anos após a banalização da ditadura da moda, que impões padrões de beleza discutíveis, baseados na magreza em seus limites.
''Toda a população precisa entrar em estado de alerta sobre os danos à saúde causados pela anorexia e bulimia'', esclarece a psicóloga, respaldada em estatísticas que apontam um índice de incidência desses distúrbios entre as mulheres muito maior nos últimos 20 anos. De acordo com Denise, somente 30% das jovens conseguem se curar. ''O restante convive com crises agudas ou morrem, por problemas no coração e aparelho disgestivo''.
O tratamento para tais distúrbios, que geralmente ocorrem simultaneamente, é feito de forma multiprofissional. Médicos, nutricionitas, psiquiatras e psicólogos são mobilizados para o tratamento das pacientes. ''E acima de tudo está o apoio da família, fundamental para a recuperação das jovens''.
As causas para a ocorrência da anorexia e da bulimia, por incrível que pareça, são conhecidas pela população há tempos: a imposição da beleza magérrima exposta nas passarelas, exigindo das adolescentes aparência semelhante. ''Esse fator, aliado a superproteção e exigência dos pais, causa distúrbios de auto imagem que provocam a anorexia e a bulimia''.
Denise Heller lembra-se de dois casos extremos de pacientes com distúrbios alimentares, ambos tratados em Curitiba. O primeiro, o de uma menina com 1,75 metro e pesando apenas 22 kg. ''Esse foi um caso exemplar de insucesso no tratamento por ausência dos pais, que não podiam acompanhar a filha no hospital porque eram pobres'', conta Denise. ''E ao mesmo tempo, mostra o poder de penetração maléfico da mídia, pois a menina morava em um sítio e era cobrada excessivamente por sua mãe para que perdesse peso''.
Outro caso lembrado por Denise foi o de uma menina com 1,60 metro e 30 kg, que, sujeita a tratamento e com o devido acompanhamento dos pais, conseguiu ganhar 10 kg em seis meses. ''Por outro lado, esse é um exemplo de que os pais devem estar atentos à saude de suas filhas, incentivando a prática de exercícios e uma alimentação saudável com o objetivo de manter uma boa saúde, e não o de ser bonita''.


