Distrito resgata história da colonização
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sábado, 14 de junho de 1997
Alexandre Sanches Cândido de Abreu 
Warren NabucoRiquezasSede do distrito fica numa serra que esconde belezas naturais; idéia é explorá-las com o ecoturismo Encravada no meio de morros, numa serra sem denominação entre os habitantes, uma pequena comunidade surge todas as manhãs entre a neblina durante o inverno, que costuma ser rigoroso. É o distrito de Thereza Cristina, no município de Cândido de Abreu (190 quilômetros ao sul de Apucarana). São pouco mais de 500 habitantes.
Thereza Cristina comemorou em maio os 150 anos de fundação. A colonização teve início com o médico francês Jean-Maurice Faivre, em 1847. Era uma vila agrícola - protótipo das vilas rurais, que estão sendo instaladas atualmente pelo governo do Estado -, onde os ideais da Revolução Francesa de igualdade, liberdade e fraternidade prevalecessem entre os moradores.
Há 150 anos, um grupo de 72 franceses deu início à construção da comunidade que, por causa dos ideais preconizados por Faivre, se transformou numa verdadeira cooperativa, considerada a primeira do País. Cada família se instalou em uma das grandes casas de tijolos e barro da região, que foram erguidas em áreas próprias para o plantio de culturas de subsistência.
Com a morte de Faivre, aos 63 anos, acometido por malária, 11 anos após a instalação da Colônia Agrícola Thereza Cristina, os ideais foram se perdendo e as famílias francesas deixaram aos poucos a região. No início deste século, novas etnias como poloneses, ucranianos, libaneses e alemães deram nova vida ao lugar.
A partir daí, o distrito teve anos de progresso. Porém, motivada pelo êxodo rural, a decadência passou a assombrar a comunidade e a história da região e de seus fundadores foi sendo esquecida.
Para resgatar a história, a Prefeitura de Cândido de Abreu está desenvolvendo um trabalho com as crianças em idade escolar. Os moradores não sabiam direito quem era o doutor Faivre e, muito menos, quem era Thereza Cristina, mulher de Dom Pedro II e amiga do médico. Pode não parecer, mas o distrito foi muito importante para a colonização do Vale do Ivaí. Uma cartilha, com resumo do livro Saga da Esperança, de Josué Corrêa Fernandes, está ajudando a resgatar a história, explica o prefeito Richard Golba (PFL).
Ele é um dos grandes incentivadores do crescimento de Thereza Cristina. No entanto, reconhece que o distrito passa por inúmeras dificuldades. Até os anos 50, tinha telefone, telégrafo, hospital, comércio forte, coletoria e linha de ônibus regular ligando Cândido de Abreu a Ponta Grossa. Era um lugar próspero, ressalta. Hoje, os moradores lutam para ter tudo de volta.
Um dos pedidos mais constantes é o asfalto na estrada que liga Cândido de Abreu ao distrito. São 28 quilômetros de uma rodovia federal revestida de cascalho. A velocidade média não passa de 40 quilômetros e frequentemente ocorrem de quebrarem durante trajeto. Por causa destes problemas, muitos moradores preferem utilizar os serviços de Ivaí, diz o prefeito. Ivaí fica a 79 quilômetros de distância e o acesso também não é asfaltado, mas a conservação é um pouco melhor.
Para reverter este quadro, a prefeitura está estudando a implantação de uma escola de 5ª a 8ª série do 1º grau no distrito; uma ponte sobre o Rio Ivaizinho - ligando o distrito ao município de Prudentópolis; e um escritório distrital da Emater. O trabalho de extensão rural vai ajudar a população a ter consciência das próprias dificuldades, procurando saídas em conjunto, enfatiza.
Golba acredita que o progresso poderia chegar também com o ecoturismo, projeto futuro do município. Além da beleza natural da região, há fontes de água sulfurosa com poderes medicinais. Falta somente que alguém se interesse em explorar estas potencialidades, ressalta.
O maior trabalho da prefeitura será resgatar materiais da época da colonização para criar o museu municipal. Alguns poucos objetos que estavam esparramados pelo município sem receber a devida importância estão sendo recuperados e guardados numa sala da prefeitura. Assim que conseguirmos material suficiente, montaremos o museu.


