Distribuidora é notificada em Curitiba
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segunda-feira, 20 de julho de 1998
Adriana Ribeiro 
A distribuidora de medicamentos Abifarma, que funciona da Rua Nossa Senhora da Penha, bairro Cristo Rei, em Curitiba, foi notificada ontem pela Vigilância Sanitária do município e pela Delegacia de Crimes Contra o Consumidor (Delcon), que vêm trabalhando em conjunto na fiscalização contra a venda irregular de remédios. A empresa é acusada de vender o medicamento Megestat, usado no tratamento contra o câncer de mama, com prazo de validade vencido.
O proprietário, Antonio Bare, terá 15 dias para apresentar defesa à Vigilância Sanitária e prestar esclarecimentos à Delcon. Os técnicos chegaram à empresa a partir de uma denúncia feita pela farmacêutica Liliane Bácaro, responsável pela Farmácia Batel, instalada na Rua Bento Vianna, 1078, no Batel.
Segundo Liliane, a farmácia teria feito um pedido à Abifarma de entrega de uma única caixa de Megestat com trinta comprimidos, na noite da última quinta-feira. O medicamento deveria ser entregue na manhã do dia seguinte, para um cliente, delegado de polícia, que iria buscá-lo para a esposa. Foi o próprio cliente que percebeu que o remédio estava vencido, disse a farmacêutica. A droga, que custa R$ 105,77, acabou não sendo vendida.
Visitada pelos técnicos da Vigilância, Liliane explicou que não possui estoque do medicamento porque a farmácia fornece Megestat apenas para esse freguês. Ela disse ainda que normalmente compra a droga de outra distribuidora, mas que, por causa de horário, optou pela Abifarma, a única empresa que poderia atender seu pedido.
Mas o proprietário da Abifarma, Antônio Bare, nega que sua empresa tenha vendido o medicamento. Ele disse que acredita que está sendo vítima de alguma pessoa que está usando de má fé. Ele solicitou ontem ao laboratório BMS, responsável pela fabricação do medicamento, a documentação que mostre para quem foi vendido o remédio que foi produzido em 1994 e que faz parte do lote 103191. Segundo ele, a partir dessa informação poderá se chegar ao verdadeiro responsável pelo produto.
O oncologista Benedito de Oliveira, que atua no Hospital Erasto Gaertner, especializado no tratamento de câncer, explicou que o Megestat é indicado para casos avançados da doença. Neste caso, um medicamento vencido poderia não fazer o efeito necessário, podendo provocar o aumento do tumor.


