São Paulo, 12 (AE) - Socipar SA, distribuidora de Produtos Químicos e Petroquímicos sediada no Rio, ingressou na 10ª Vara Cível de São Paulo com ação milionária de indenização contra a multinacional alemã Bayer. A empresa carioca acusa a Bayer de alijá-la do mercado nacional de sulfato de sódio, ao romper bruscamente relações comerciais iniciadas em 1983.
O advogado da Socipar, Edevaldo Alves da Silva, pleiteia indenização de R$ 12,689 milhões, equivalente a projeção do lucro operacional dos anos trabalhados, acrescidos de dano moral
no valor de 10 mil salários mínimos.
A Bayer, através do advogado Rogério Salgado, já contestou a ação que qualifica de "uma aventura judiciária". Pede sua improcedência alegando que a Socipar "não é nem nunca foi distribuidora ou representante da Bayer". Acrescenta que as dificuldades enfrentadas pela Socipar, que está em regime de concordata preventiva, decorrem "muito mais de sua inabilidade administrativa, comercial e financeira do que pela suposta perda do mercado.
A Socipar treplicou, juntando vasta documentação sobre seu relacionamento com a Bayer nos últimos anos. E pedindo ao juiz José Joaquim dos Santos seja a multinacional considerada "litigante de má-fé".
Alves pleiteia ainda a remessa de peças do processo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e ao Ministério Público, alegando que o procedimento da Bayer "extravasa os limites exclusivamente privados".
Tecnologia - A Socipar sustenta que desenvolveu tecnologia especializada para transporte, armazenamento e colocação no mercado de sulfato de sódio contaminado com cromo que era produzido pela Bayer na unidade de Belfort Roxo (RJ). A Bayer chegou a produzir 12 mil toneladas daquele produto ao ano. O lucro obtido pela Socipar nesta tarefa, de 1983 a 1998, tornou-a basicamente dependente da Bayer.
Em consequência no know how desenvolvido, a Socipar passou a fazer o mesmo trabalho para a Bayer argentina, onde também era gerado sulfato de sódio contaminado com cromo. Entretanto, em dezembro de 97 a Socipar foi verbalmente informada pela Bayer que encerraria suas atividades em Belfort Roxo.
A empresa carioca alega que, com isso, sofreu danos imediatos, pois as programações e projeções são anuais. A produção foi concentrada na Argentina e a Bayer substituiu a Socipar, apoderando-se de toda a sua clientela. Em consequência, alega a empresa, a Socipar foi obrigada a pedir concordata no fórum do Rio de Janeiro.

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