Distribuição dificulta acesso aos genéricos
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terça-feira, 09 de maio de 2000
Luciana Pombo De Curitiba 
Atualmente, menos de 5% dos medicamentos encontrados no Brasil são genéricos. Em 80% dos casos, eles são produzidos por indústrias farmacêuticas nacionais, passam por exames de bioequivalência e custam cerca de 50% menos do que os medicamentos de marca. De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Defesa do Usuário de Medicamentos (Idum), existem hoje 51 medicamentos registrados, e 40 deles já poderiam ser comercializados. Mas apenas oito são encontrados regularmente nas farmácias.
Temos um grave problema de distribuição que se agrava a partir do momento em que 99% dos medicamentos distribuídos são produzidos por multinacionais, disse Antonio Barbosa da Silva, coordenador do Idum e presidente do Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF). Silva esteve ontem em Curitiba participando do lançamento de mais uma etapa da campanha nacional pelo uso racional dos medicamentos.
Em dois anos, a expectativa é que o número de medicamentos genéricos (com o nome da substância na embalagem) disponível no mercado seja 588% maior. Com isto, a indústria farmacêutica nacional conquistaria entre 30% e 35% do mercado de medicamentos no Brasil. Tudo depende da aceleração do processo de produção, comercialização e distribuição dos genéricos, disse Silva.
Durante a cerimônia de lançamento, que ocorreu na Associação Médica do Paraná, foi apresentada a lista alternativa para a prescrição de medicamentos que compara os preços dos medicamentos de referência (marca) com os genéricos e similares. Um painel com perguntas que a população deveria fazer aos seus médicos também deverá ser enviado para ambientes médicos e farmácias de todo o Paraná. Queremos que os pacientes exijam mais dos médicos. Peçam alternativas de medicamentos que possam ser usados. Isto fortalece a relação entre o médico e o próprio paciente, sugeriu ele.
Os remédios genéricos são comercializados em 160 países. Na Alemanha, Holanda e Estados Unidos, eles representam 50% das prescrições médicas. Temos que começar a mudar a mentalidade do brasileiro. Os genéricos são os medicamentos mais seguros que existem no mercado nacional. Eles são testados rigorosamente antes de serem liberados pelo Ministério da Saúde, insistiu. Ele destacou que o fato de um médico apresentar três medicamentos alternativos para uma mesma doença já poderá causar uma economia de cerca de 50% para o paciente. Para pessoas com doenças crônicas, cerca de 50 milhões em todo o País, a implantação dos genéricos é fundamental, declarou.


