Outro problema é a distribuição desigual tanto dos serviços quanto dos especialistas: somente em São Paulo, há quase o dobro de psiquiatras que em todo o restante do País. Atualmente, existem 5,2 mil psiquiatras em exercício no Brasil, uma média de 2,83 profissionais para cada 10 mil habitantes. Na América Latina, são 4,66 profissionais para cada 10 mil habitantes.
Os Caps, centros de atendimento, somam 841 unidades em todo o País. Mesmo com o fechamento dos leitos, ainda existem 228 hospitais psiquiátricos tradicionais - alguns deles, como o Hospital São Pedro, em Porto Alegre, com moradores totalmente incapacitados e vivendo no local há 30, 40 anos.
Os pacientes muito jovens - na infância e na adolescência - recebem menos atenção ainda, de acordo com o relatório. Há apenas 66 Caps voltados a esse público. Na prática, o que acaba acontecendo é que jovens dependentes de álcool ou drogas, sem alternativa, acabam sendo levados para a Justiça e encaminhados para locais de internação, como a antiga Febem, em São Paulo.
''Até 2003, não havia nenhuma política de saúde mental. Depois que foi definida, estamos nos estruturando. Falta mesmo atenção ao jovem, é um dos nossos maiores desafios, até porque onde não existe atendimento, ele acaba indo para a Justiça e percebemos que onde há os Caps, já se consegue uma estrutura melhor'', afirma Pedro Gabriel Godinho, responsável pela área no Ministério da Saúde.

mockup