O Dia Mundial de Luta Contra a Aids foi marcado por protesto e campanhas de conscientização em Londrina. O Conselho Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, com a ajuda da Polícia Militar (PM), realizou uma blitz educativa na Avenida Higienópolis. Segundo a presidente do Conselho, Sueli Galhardi, durante a abordagem os agentes de saúde distribuíram panfletos e preservativos.
Já os membros da Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) optaram por protestar contra a postura da Igreja em relação ao uso do preservativo. Frases como ''Quanto tempo a Igreja Católica vai levar para pedir perdão aos portadores de Aids?'' fizeram parte dos cartazes que cobriram as escadarias da Catedral durante algumas horas.
Segundo o vice-presidente da Alia, Roni Lima, o objetivo da manifestação é, primeiramente, chamar a atenção das igrejas que são contrárias ao uso da camisinha para depois iniciar uma discussão. ''É preciso rediscutir como enfrentar a Aids no contexto atual e a Igreja tem um papel fundamental, pois ela leva mensagens de compaixão e vida melhor'', ressalta Lima.
Segundo o monsenhor Bernard Carmel Gafá, o catolicismo considera a sexualidade santa desde que seja praticada dentro do matrimônio como um ''diálogo amoroso'' entre o casal e com a finalidade da formação da família. Mas lembrou que a forma como está sendo defendido o uso da camisinha é um incentivo à promiscuidade.
Categórico, Gafá aponta uma outra saída para a epidemia: ''Para conter a disseminação do HIV é preciso uma educação para os valores essenciais baseados na sacralidade da sexualidade e da família''. Já para as pessoas que adquiriram o vírus, a Igreja aconselha a abstenção de relações sexuais. Mas, segundo o monsenhor, se estas escolherem continuar a ter relações é aconselhável usar a camisinha. ''Seria um mal menor'', explica.
Hoje, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Aids (Unaids), cerca de 40 mihões de pessoas estão contaminadas em todo o mundo e 14 mil novos casos são notificados por dia. No Brasil, o Ministério da Saúde registrou, desde 1980 até setembro de 2003, 277.141 casos de Aids. Já em Londrina, segundo a diretora de edidemiologia da Secretaria de Saúde, Josemari de Arruda Campos, desde 1984 até outubro deste ano foram notificados 1.402 casos de Aids.
Uma estimativa do Ministério da Saúde aponta que 0,5% da população brasileira a partir de 14 anos está contaminada. Este número refletiria cerca de 1,5 mil pessoas portadoras de HIV em Londrina, sendo que nem todos sabem que possuem o vírus. Josemari aconselha que quem quiser ter mais informações sobre a Aids pode procurar o Centro de Testagem Sorológica que fica na Alameda Manoel Ribas, nº 1 (junto ao Centro Integrado de Doenças Infecto-contagiosas).

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