Distribuição de órgãos é malfeita, admite MS
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quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
O secretário de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, Antônio Werneck, admitiu ontem que a distribuição de órgãos no Brasil é injusta e mal feita. E pediu a confiança da população no esforço do governo para garantir as melhorias necessárias. A lei de transplantes e os critérios para recepção e distribuição vão mudar esse quadro, afirmou o técnico, durante a divulgação da campanha de esclarecimento da nova lei.
A campanha de R$ 3,5 milhões será iniciada sábado, quando começam a ser veiculados três dos sete filmes de televisão destinados a esclarecer as principais dúvidas dos brasileiros em relação às novas regras para doação e transplante de órgãos e tecidos. Nessa primeira fase, atores pouco conhecidos vão esclarecer o que mudou com a lei, ressalvar que ela não torna a doação obrigatória, sendo permitido à pessoa mudar de opinião a qualquer momento.
Os quatro outros filmes, veiculados a partir do dia 20, mostrarão os médicos Walter Garcia, da Associação Brasileira de Transplantes, João Moreira, da Sociedade Brasileira de Nefrologia, Ilka Ferreira Boin, cirurgiã da Unidade de Transplante Hepático da Universidade de Campinas, e Neide Barriguelli, presidente da Federação das Associações de Renais e Transplantados do Brasil. Eles responderão a cerca de duas dúvidas cada um. Toda a campanha será veiculada até o dia 10 de fevereiro, quando o ministério fará nova pesquisa para saber a que ponto os brasileiros foram esclarecidos.
Além da televisão, serão distribuídos spots para 500 rádios, um milhão de cartazes - que serão afixados em hospitais, órgãos de identificação e departamentos de trânsito - e três milhões de folhetos.
A campanha também tentará ganhar a confiança do brasileiro em relação ao sistema nacional de transplantes, que deverá estar em funcionamento a partir de 1º de maio, com listas únicas de candidatos à recepção de órgãos por Estado. Mas o secretário de Assistência à Saúde admitiu que alguns brasileiros ainda tomam a decisão de não doar seus órgãos por desconfiança em relação à saúde pública.
O secretário afirmou que caberia ao Congresso uma possível mudança na lei para garantir a consulta da família antes da retirada de órgãos de pessoas com morte cerebral, mas ele é contra a alteração. E se a pessoa declara que não é doador, a família também pode ir contra a vontade dele?, questionou.


