Disque-saúde orienta fumante sobre como deixar o vício
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de maio de 1999
Por Isabel Braga e Sandra Sato 
Brasília, 31 (AE) - O fumante receberá orientações sobre o que fazer para deixar o vício pelo telefone do disque-saúde do Ministério da Saúde (0800.611997). O lançamento do serviço foi hoje, em solenidade pelo Dia Mundial Sem Tabaco, no Palácio do Planalto. Na cerimônia o ministro da Saúde, José Serra, assinou portaria aprovando frases mais incisivas sobre os males provocados pelo fumo para serem impressas nos maços.
Há alertas como "fumar causa impotência sexual", "fumar causa câncer de pulmão" e "crianças começam a fumar ao verem os adultos fumando". As frases, que serão usadas em rodízio, trazem informações de que o cigarro provoca bronquite crônica, efisema pulmonar e dependência. Elas advertem também de que "o fumante morre mais de doenças do coração e de derrame cerebral" e "fumar na gravidez faz mal ao bebê".
Ligação - O ministro Serra fez a primeira ligação ao disque-saúde. Uma funcionária de 24 anos atendenu e fez uma longa exposição sobre os males provocados pelo fumo."Se eu fosse fumante, você teria me ajudado a parar com o cigarro", brincou o ministro.
Antes da ligação para os serviço, o vídeo "O que eu faço Doutor?" foi exibido. Um médico aparece recomendando, entre outras medidas, que a pessoa tome um copo de água toda vez que sentir vontade de fumar e evite tomar café.
O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, foi condecorado na cerimônia por ter proibido a comercialização de maços com menos de 20 cigarros, o que poderia atrair o interesse do público jovem e o de baixa renda por causa do baixo preço. Ele também exigiu a colocação de um selo nos maços de cigarro importado para combater o contrabando.
Mortes - O governo também quer economizar com tratamento de fumantes. O vício é responsável pelo surgimento de 25 doenças
disse Serra. No mundo, quatro milhões de pessoas morrem anualmente por causa do fumo. No Brasil, são 80 mil por ano. De acordo com o ministro, a expectativa de vida de um fumante é de 22 anos a menos do que a de uma pessoa que não fuma.
"80% dos que fumam querem parar, mas só 3% conseguem", informou Serra, justificando a interferência do governo nesse mercado, pois as campanhas de cigarros são voltadas para o público jovem e o consumidor não é informado adequadamente dos males que o cigarro causa.
Propaganda - O Comissão de Assuntos Sociais do Senado está discutindo restrições à propaganda de cigarro. A relatora do substitutivo em debate, a senadora Heloísa Helena (PT-AL), pretende garantir o mesmo volume de investimento nos anúncios de cigarros para campanhas explicando os males do cigarro. Ela quer que as advertências sejam feitas imediatamente após um anúncio de TV e rádio em que o fumante daquela marca está ligado ao sucesso, beleza e eficácia. "As campanhas são muito sedutoras."
O ministério da Saúde avalia ainda se vale a pena aumentar o preço do cigarro. Estudos mostram que a receita da arrecadação de impostos sobre o produto não cai, mas indica que pode aumentar o contrabando. Quando o preço aumenta em 10%, o consumo cai 8%. E segundo o ministro o argumento de que a medida pode gerar desemprego é balela.


