Guarapuava - ''Certa vez, atendi uma denúncia de que uma mulher que deixava os cinco filhos trancados em casa e saía para se prostituir. A casa era de madeira e tinha uma ligação clandestina para ter eletricidade. A fiação era muito velha'', contou o conselheiro tutelar José César Ramalho, que atende a área central de Londrina.
''Foi muita sorte não ter ocorrido uma tragédia lá também. O que aconteceu em Guarapuava poderia ter sido evitado caso alguém houvesse denunciado as mães das crianças. As pessoas devem entender que isso é um ato de cidadania, jamais uma intromissão na vida alheia'', reforçou o conselheiro.
Ramalho lamenta que o serviço de denúncias anônimas implantado em abril em Londrina ainda não tenha tido a adesão popular. Ele diz que, em média, o Disque 125 recebe duas ligações por dia. ''Ainda assim, a maioria das ligações contém informação falsa.''
Para o conselheiro, a melhor maneira da sociedade prevenir tragédias como a que aconteceu em Guarapuava é não deixar crianças desacompanhadas em casa. A prática é um ato infracional. Fere o artigo 70 do Estatuto da Criança e do Adolescente: ''É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente''.
''Acredito que precisamos de uma grande campanha de conscientização para estimular as pessoas a denunciarem os casos graves de abandono. Hoje as denúncias dependem da coragem e do caráter de um vizinho. É necessário que isso se torne uma regra na comunidade'', sugeriu o conselheiro.(L.F.M)

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