Disputas políticas aceleram as falências
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domingo, 26 de janeiro de 2003
Vânia Moreira<br>Equipe da Folha 
Icaraíma A Policlínica São Lucas, de Icaraíma, (67 quilômetros a noroeste de Umuarama) fechou as portas na semana passada deixando o município de 10 mil habitantes sem hospital. Os moradores contam apenas com o posto de saúde que passou a funcionar 24 horas. Os que precisam de internamento têm de ser removidos de ambulância para Douradina ou Umuarama, ambos a mais de 60 quilômetros de distância. Nos últimos dois anos, outros três municípios (Alto Piquiri, Ivaté e Xambrê) também perderam o único hospital que tinham.
Segundo a 12ªRegional de Saúde, quase a metade dos hospitais da região fecharam na última década. Até 1990, eram 29 hospitais, sete em Umuarama e 22 nos outros 20 municípios da regional. Umuarama perdeu dois hospitais. Nos outros municípios, foram nove. Altônia e Cruzeiro do Oeste que já tiveram três hospitais cada ficaram com apenas um. Os médicos atribuem o desaparecimento dos hospitais ao êxodo populacional, aos baixos preços pagos pelo sistema público de saúde e à transferência do atendimento para centros maiores e mais bem equipados.
As divergências políticas também têm contribuído para reduzir a oferta de leitos e serviços médicos na região. Um dos donos da Policlícina São Lucas, o ex-prefeito Osni Sérgio dos Santos, diz que desistiu da atividade porque o município não renovou o convênio. Não temos clientela particular e não conseguimos nos manter apenas com os pagamentos do SUS, alega. Santos afirma que o atual prefeito deverá gastar cerca de R$ 30 mil por mês para manter o novo sistema de atendimento. Poderíamos fazer o atendimento por R$ 10 mil mensais, sustenta.
O prefeito Paulo Valles Zampieri (PFL) nega qualquer perseguição política e afirma que não houve acordo por intransigência dos donos dos hospitais. Repassávamos quase R$ 5 mil, mas o hospital queria 100% de reajuste, o que não podemos pagar. Além disso, o hospital estava sucateado, com os mesmos equipamentos de 30 anos atrás, e vinha protelando os investimentos exigidos, explica. Zampieri garante que os gastos de manutenção do posto de saúde e transporte de pacientes não serão muito maiores do que repassava para a Policlínica. Brigas políticas também foram as causas do fechamento de hospitais em Ivaté, Alto Piquiri, Altônia.


