São Paulo, 10 (AE) - Fabricantes de autopeças informaram que vão tentar resistir aos reajustes de preços de matéria-prima porque não estão conseguindo repassá-los para as montadoras. A queda-de-braço entre os três setores poderá resultar na falta de componentes para veículos e as empresas correm o risco de ficar com os pátios cheios de carros incompletos, uma cena comum há alguns anos.
A Dana, uma das maiores fabricantes de autopeças do País
já está comunicando às montadoras que deixará de entregar encomendas caso os produtores de suprimentos insistam nos reajustes. "Não vamos aceitar aumentos inexplicáveis", afirmou o diretor de Marketing da empresa, Luciano Dias Pires Filho.
Além de componentes diversos, a Dana é considerada uma empresa sistemista - entrega módulos completos como o rolling chassi, que agrega 148 itens, incluindo chassis, rodas, pneus, eixos, amortecedores e freios.
A idéia da empresa é de adotar estratégia semelhante à usada recentemente pela rede de supermercados Carrefour, de denunciar fornecedores que estão reajustando preços e não adquirir o produto.
A ZF, fabricante de transmissões no interior de São Paulo, também está tentando negociar com as montadoras o repasse de custos por conta do aumento de preços de componentes importados, como alguns tipos de rolamentos, e das recentes alterações na carga tributária. "Ainda nem conseguimos marcar uma reunião com as fabricantes", disse o gerente de Marketing Sérgio Proto.
Algumas montadoras já estariam tendo problemas com a falta de componentes, mas nenhuma delas quis comentar o assunto por estarem em processo de negociação com os fornecedores.
Repasses - Segundo as montadoras, fabricantes de alumínio estão propondo a dolarização dos preços, enquanto os produtores de polipropileno (usado na produção de peças plásticas) e aço, além de rodas, motor, pneus e material isolante querem reajustes médios de 25%.
Os fabricantes de vidro plano querem 10% de aumento, segundo informou a diretora da Associação Brasileira da Indústria de Vidro (Abividro), Solange Mata Machado. De acordo com ela, o setor importa barrilhas (matéria-prima usada na produção).
O impacto no custo do vidro por conta da defasagem cambial teria sido de 12%. Esse índice, aliás, é o que está sendo reivindicado por uma das grandes indústrias do setor, a Santa Marina.
O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) está sugerindo aos seus associados que negociem diretamente com as montadoras.
A entidade está orientando as autopeças a solicitarem que as próprias montadoras comprem a matéria-prima para que o fornecedor faça a transformação. O sindicato entende que as indústrias teriam maior poder de negociação com os produtores de matérias-primas.

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