Em uma semana de ‘‘guerra’’ entre traficantes, 18 pessoas foram assassinadas no morro do Chapadão, em Anchieta (zona norte do Rio). As últimas seis mortes ocorreram ontem. Policiais federais e militares e fuzileiros navais invadiram a favela e mataram seis supostos traficantes. Não é comum a Polícia Federal participar de ações conjuntas com a Polícia Militar. A ação de agentes federais no morro está sendo interpretada como uma represália pelos moradores.
Na segunda-feira passada, teria sido roubado perto da favela o Corsa do delegado Júlio César Pina do Amaral, da repartição da PF em Nova Iguaçu (cidade vizinha ao Rio). Dois dias depois, o agente federal Marcelo Alves também teria tido o carro roubado nas proximidades do morro, pelos mesmos criminosos. Foi o próprio delegado Pina do Amaral quem comandou a ação na favela, ontem à tarde.
Ele chefiou agentes da PF, PMs de três batalhões (14º, 15º e 20º) e até dez fuzileiros navais, que estariam à procura dos assassinos de um militar da Marinha, ocorrido na semana passada. Na versão apresentada pelo comando da operação à Polícia Civil, as mortes aconteceram depois que dez supostos traficantes reagiram a tiros à abordagem dos policiais. Baleados, seis deles, que não estavam identificados até ontem, chegaram mortos ao hospital Carlos Chagas (zona oeste).
A reportagem tentou ontem ouvir o delegado Pina do Amaral. Na PF em Nova Iguaçu e no Rio, a informação foi a de que ele não estava trabalhando. Na Delegacia de Dia da PF, no centro do Rio, o chefe de equipe, que se identificou como Schlerman, comemorou a morte dos suspeitos. ‘‘Pena que não morreram 50.’’
‘‘A polícia fez um trabalho social na favela’’, afirmou o chefe de equipe em entrevista por telefone à Folha de S.Paulo. A disputa entre quadrilhas rivais no morro do Chapadão começou no fim de semana passado. As mortes têm sido diárias. A madrugada de sábado no Rio foi violenta. Grávida de oito meses, Cláudia Batista, 17, foi morta por uma bala perdida durante tiroteio entre PMs e traficantes no morro da Fazendinha (zona norte).
Na Cidade de Deus (zona oeste), um pagode foi interrompido por rajadas de tiros disparadas por policiais e traficantes. Cinco pagodeiros (três mulheres e dois homens) foram baleados. Eles não correm risco de vida.

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