Disputa provoca 18 mortes em uma semana
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sábado, 17 de abril de 1999
Agência Folha 
Em uma semana de guerra entre traficantes, 18 pessoas foram assassinadas no morro do Chapadão, em Anchieta (zona norte do Rio). As últimas seis mortes ocorreram ontem. Policiais federais e militares e fuzileiros navais invadiram a favela e mataram seis supostos traficantes. Não é comum a Polícia Federal participar de ações conjuntas com a Polícia Militar. A ação de agentes federais no morro está sendo interpretada como uma represália pelos moradores.
Na segunda-feira passada, teria sido roubado perto da favela o Corsa do delegado Júlio César Pina do Amaral, da repartição da PF em Nova Iguaçu (cidade vizinha ao Rio). Dois dias depois, o agente federal Marcelo Alves também teria tido o carro roubado nas proximidades do morro, pelos mesmos criminosos. Foi o próprio delegado Pina do Amaral quem comandou a ação na favela, ontem à tarde.
Ele chefiou agentes da PF, PMs de três batalhões (14º, 15º e 20º) e até dez fuzileiros navais, que estariam à procura dos assassinos de um militar da Marinha, ocorrido na semana passada. Na versão apresentada pelo comando da operação à Polícia Civil, as mortes aconteceram depois que dez supostos traficantes reagiram a tiros à abordagem dos policiais. Baleados, seis deles, que não estavam identificados até ontem, chegaram mortos ao hospital Carlos Chagas (zona oeste).
A reportagem tentou ontem ouvir o delegado Pina do Amaral. Na PF em Nova Iguaçu e no Rio, a informação foi a de que ele não estava trabalhando. Na Delegacia de Dia da PF, no centro do Rio, o chefe de equipe, que se identificou como Schlerman, comemorou a morte dos suspeitos. Pena que não morreram 50.
A polícia fez um trabalho social na favela, afirmou o chefe de equipe em entrevista por telefone à Folha de S.Paulo. A disputa entre quadrilhas rivais no morro do Chapadão começou no fim de semana passado. As mortes têm sido diárias. A madrugada de sábado no Rio foi violenta. Grávida de oito meses, Cláudia Batista, 17, foi morta por uma bala perdida durante tiroteio entre PMs e traficantes no morro da Fazendinha (zona norte).
Na Cidade de Deus (zona oeste), um pagode foi interrompido por rajadas de tiros disparadas por policiais e traficantes. Cinco pagodeiros (três mulheres e dois homens) foram baleados. Eles não correm risco de vida.


