Um projeto federal para a duplicação do trecho mais perigoso da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), na Serra do Cafezal, em São Paulo, está parado há quase dez anos por uma disputa com ambientalistas sobre o melhor traçado para a nova pista.
A briga concentra-se sobre um trecho de 6 quilômetros, no qual a rodovia deverá passar por um pequeno enclave de mata atlântica na bacia do Ribeirão do Caçador, entre os km 348 e 354, no município de Miracatu. Ambientalistas querem que a duplicação seja feita adjacente à pista atual, de forma a reduzir o impacto ao ambiente. Por causa disso, todos os 30 quilômetros da serra permanecem sem duplicação. Nesse meio tempo, centenas de pessoas morreram ou ficaram feridas em acidentes nesse trecho da estrada.
A campanha ambientalista é liderada por Léa Corrêa Pinto, dona da Fazenda Itereí, uma estância ecológica de 193 hectares que beira a rodovia por mais de 2 quilômetros, na altura do km 350. Pelo projeto de duplicação, a nova pista passaria dentro da propriedade, a cerca de 400 metros da pista atual. A fazenda é reconhecida desde 1978 como Refúgio Particular de Animais Nativos - equivalente, nos termos atuais, a uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). ''Todo mundo quer a duplicação da rodovia, inclusive nós. Mas esse projeto é uma catástrofe'', diz Léa, de 60 anos. Os ambientalistas defendem que a duplicação seja feita paralela à pista atual ou através de um túnel.
Técnicos do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (Dnit), entretanto, garantem que o traçado proposto é o menos impactante possível. A estrada nesse trecho é margeada pela microbacia do Caçador, à direita, e por um paredão de serra, à esquerda (sentido São Paulo-Curitiba). Para que a duplicação fosse feita adjacente à pista atual, seriam necessários cortes de até 60 metros na encosta esquerda, o que exigiria a retirada de quantidades imensas de terra e deixaria a rodovia sob constante risco de deslizamentos, segundo o engenheiro Degliê Braz Koller, da Prodec Consultoria, empresa que gerencia o projeto de duplicação da BR-116 para o Dnit.(A.E.)

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