Disputa por tráfico mata três na Rocinha
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sexta-feira, 09 de abril de 2004
Das agências 
Rio- Três pessoas morreram e sete ficaram feridas numa disputa entre traficantes por pontos-de-venda de drogas no Morro da Rocinha, localizado em São Conrado, zona sul do Rio. Um grupo de 60 criminosos fez uma falsa blitz numa via próxima para seguir em carros roubados até a favela. Uma mulher furou o bloqueio e morreu com um tiro na nuca. Houve tiroteio com a Polícia Militar, mas parte do bando conseguiu escapar e entrou na Rocinha, onde houve novo confronto. Dois moradores morreram, vítimas de balas perdidas. A PM informou que havia sido avisada da invasão. Três pessoas foram presas.
A ação começou por volta de 1 hora, quando o bando, vindo do Morro do Vidigal, iniciou uma blitz. A mineira Telma Velloso Pinto, de 38 anos, que estava com o marido, Renato Gonzaga, e três sobrinhos adolescentes, foi surpreendida pelos criminosos, armados e encapuzados. Ela não parou no bloqueio e foi morta com um tiro de fuzil. Telma perdeu o controle do veículo e bateu numa mureta. Gonzaga e os sobrinhos Bernardo, Artur e Vinícius ficaram levemente feridos.
A PM seguiu para o local da falsa blitz e houve troca de tiros. Parte do grupo de traficantes conseguiu escapar e seguiu em quatro carros e duas peruas Kombi roubados para a Rocinha. Segundo testemunhas, os traficantes chegaram à favela atirando. Cerca de três mil pessoas que estavam em um galpão, onde ocorria uma roda de pagode, correram para se abrigar.
Alguns moradores contaram que o comboio de carros subiu até um ponto conhecido como ''Curva do S'' teriam se deparado com os traficantes que dominam a Rocinha. Houve tiroteio e Fabiana Santos Oliveira, de 24 anos, que descia a rua para buscar a irmã na entrada da favela, foi atingida. ''Ela não teve tempo de correr. Todo dia fazia esse trajeto para buscar a irmã que chega do trabalho'', contou Dalmira Reis de Moura, sogra de Fabiana, que deixa um filho de quatro meses e outro de oito anos. Fabiana estava acompanhada do marido, Edson Moura, de 29 anos, que foi atingido com um tiro no cotovelo. Um pouco mais à frente, Wellington da Silva, de 27 anos, também foi atingido por uma bala perdida e morreu.
O tiroteio na Rocinha durou três horas. Os criminosos atiraram nos transformadores, deixando a favela às escuras. Os moradores não esquecem os momentos de terror pelo qual passaram. ''Isso aqui parecia até o Iraque. Nunca vi tanto tiro'', disse um taxista, que se identificou apenas como Eduardo.


