Agência Folha
Do Rio
Seis mortos, quatro feridos e três horas de terror. Foi esse o saldo da guerra entre traficantes na favela Nova Holanda (zona norte do Rio), anteontem à noite. É a segunda chacina resultante da guerra de facções rivais do tráfico em uma semana no Rio. Na sexta-feira passada, outras seis pessoas foram assassinadas no morro do Cerro-Corá, em Laranjeiras. O pânico na Nova Holanda começou por volta de 20 horas de anteontem, quando cerca de 30 homens vindos das favelas do Timbau, Baixa do Sapateiro e Vila do Pinheiro entraram na Nova Holanda em dois caminhões.
Usando roupas camufladas semelhantes às do Exército, os invasores, armados com fuzis e pistolas, fecharam o trânsito e cortaram a luz. Vinham em busca dos chefes do tráfico, ligados à facção criminosa Comando Vermelho. Os invasores são integrantes do grupo Terceiro Comando, que tem como objetivo dominar os pontos de venda da droga.
O grupo armado da Nova Holanda ensaiou uma reação, mas não conseguiu deter o ataque. As ruas estavam cheias de pessoas que voltavam para suas casas. Muitas tiveram de pedir para não morrer. Um rapaz que reclamou da invasão foi baleado.
Cerca de 20 policiais militares chegaram ao local e, no escuro, tentaram controlar a situação. Os invasores fugiram e se esconderam em casas da própria favela.
Segundo a polícia, todos os mortos e feridos são ligados ao tráfico. Só dois mortos, porém, Marco Antônio dos Santos, o Pé-de-Porco, 33, e Fábio Soares da Silva, o Fabinho, 17, têm antecedentes criminais.
Também morreram: Luís Carlos Araújo da Silva, 27, José Augusto Teixeira, 19, Alexandre Magno da Silva, 22, e Antônio Pádua da Silva, 46. Quatro feridos foram levados para o Hospital Geral de Bonsucesso. Três deles foram liberados ontem pela manhã.
A PM ocupou a Nova Holanda com 50 homens. O clima de tensão, porém, permanecia. O comércio fechou as portas, e os moradores temem novas invasões.

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