Disputa por terra mata mais um no Pará
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quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
Agência Estado 
O agricultor Carlos Alberto Campelo foi assassinado anteontem, com cinco tiros, dentro do lote que ele ocupava na Fazenda Santa Maria, a 40 quilômetros do município de Tailândia, no sul do Pará. Segundo nota distribuída pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura dos Estados do Pará e Amapá (Fetagri), ontem, e investigações feitas pela polícia, o crime teria sido motivado pela disputa de terras. A Fetagri aponta como autor dos tiros um homem conhecido na região por Serrinha, filho do vereador José Alves Feitosa. O suspeito teria fugido para Marabá, onde está sendo procurado. A reportagem tentou contato com o parlamentar, mas não conseguiu localizá-lo.
Campelo havia demarcado um lote e morava há vários meses com sua família numa área da fazenda. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tailândia, Pedro de Jesus Mercides, que se diz ameaçado de morte por também apontar Serrinha como assassino de Campelo, o madeireiro Manoel Alves Feitosa, irmão do vereador, está envolvido no crime. Eu saía de um culto evangélico, na véspera do assassinato, quando o Manoel apareceu para me ameaçar de morte. Ele dizia que iria levar dez homens armados até a fazenda para retirar a bala quem lá estivesse, contou Mercides na polícia.
O investigador Nilton dos Santos informou que várias testemunhas do crime serão chamadas a depor. Campelo foi enterrado na manhã de ontem em Tailândia. Entidades de direitos humanos e sindicatos de trabalhadores da região realizaram um protesto contra a impunidade no campo durante o sepultamento.
Teodoro Sampaio - O Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) decidiu suspender a partir de hoje o bloqueio das agências do Banco do Brasil (BB) no Pontal do Paranapanema (SP), iniciado anteontem, segundo anunciou o líder José Rainha Júnior. De acordo com o líder sem-terra, a decisão foi adotada pela liderança do MST para dar um prazo e um voto de confiança de que nossas reivindicações serão atendidas.
Ele explicou que o movimento vai aguardar até o início do ano pela liberação de financiamentos de custeio e pela instauração de uma auditoria para apurar possíveis irregularidades praticadas pelo banco nos financiamentos destinados aos programas de reforma agrária.
Se nenhuma providência for adotada, avisou, poderá ser determinar o bloqueio das 19 agências que o BB mantém no Pontal do Paranapanema. Se duvidam, esperem para ver, disse.
Ontem, a manifestação dos sem-terra atingiu as agências de Teodoro Sampaio, Primavera e Presidente Bernardes. A de Santo Anastácio, que não pôde funcionar segunda-feira, não foi bloqueada ontem.
Segundo Rainha, há duas semanas ele formalizou uma denúncia, transformada em inquérito policial por estelionato e apropriação indébita, contra o gerente do Banco do Brasil em Teodoro Sampaio, Ronald Allen Coulter. Ele acusa o gerente de ter feito transferências, de forma irregular, de saldos bancários depositados em nome da Cooperativa dos Assentados da Reforma Agrária do Pontal (Cocamp) em favor de uma ex-funcionária da cooperativa.
De acordo com ele, o dinheiro foi depositado para ser repassado ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como devolução de recursos financiados e não utilizados pela Cocamp.


