Sorocaba, SP, 10 (AE) - Empresas de ônibus e donos de lotações estão disputando passageiros do transporte coletivo em Sorocaba e outras cidades da região. As vans não têm autorização para cirdular. Elas operam com tarifa praticamente igual à cobrada pelos ônibus. Oferecem como vantagem mais conforto e rapidez no percurso, mas não têm horários fixos e não atingem todos os pontos da cidade. Em Sorocaba, cerca de 120 lotações concorrem com 350 ônibus.
No ano passado as duas empresas permissionárias do transporte coletivo perderam 5,7% dos passageiros pagantes, segundo Francisco de Assis Marques, proprietário da Transportes Coletivos Sorocaba. Ele atribuiu a redução de passageiros à concorrência das vans e já pediu à prefeitura autorização para reduzir o número de horários e linhas. "Temos 177 ônibus circulando, uma folha de 700 funcionários e um custo fixo", argumentou. Outra proposta é um aumento na tarifa básica, de R$ 0,90. As vans cobram R$ 1,00 por passageiro.
A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Social (Urbes), que administra o transporte, faz blitze diárias para apreensão das vans. Mais de 30 veículos foram apreendidos nos últimos dois meses, mas os donos de lotações obtiveram liminares na Justiça para continuar operando.
Nesta semana eles obtiveram o apoio do promotor de justiça Jorge Alberto de Oliveira Marum, que acusou a empresa municipal de defender "com unhas e dentes os barões do transporte". O Sindicato dos Motoristas de Ínibus reagiu, publicando hoje (10) anúncios em jornais acusando os perueiros de manterem cooperativas de fachada para não pagar os direitos de seus empregados.
A Viação Cometa, que tem a concessão do transporte de passageiros entre Sorocaba e São Paulo, eliminou dez horários de ônibus alegando falta de passageiros, atribuído à concorrência das vans. A empresa cobra R$ 7,45 por passageiro que, na van, paga R$ 5,00.
Polícia - Em Capão Bonito, cidade da região, a disputa virou caso de polícia. O empresário Salim El Safadi teve duas peruas "fechadas" por um dos donos da empresa Amarelinho, concessionária do transporte coletivo, Hércules Francatto. Safadi alegou que um dos seus veículos foi danificado e, em represália, jogou pedras em um ônibus da empresa.
Depois passou a fazer o transporte de graça. "Quero apenas trabalhar e oferecer comodidade aos passageiros", disse. Francatto alegou que a concorrência é desleal. "Pagamos impostos, temos equipamento e estrutura para prestar o serviço, o que ele não tem."
Em Itapetininga a empresa de ônibus Nossa Senhora Aparecida colocou microônibus para concorrer com os motoboys e táxis, que cobram tarifa de R$ 1,00 para qualquer corrida. Mesmo assim, segundo o diretor Antônio Joaquim da Costa, a situação continua crítica. "Perdemos 40% dos passageiros." Uma lei municipal autorizou o serviço de moto-táxis, no limite de dois veículos para cada grupo de mil habitantes. "A cidade tem 80 mil moradores na zona urbana, mas há 800 moto-táxis circulando, sem qualquer fiscalização", disse Costa. Segundo ele, táxis e moto-táxis atuam nas linhas de ônibus, nos horários de pico. "Eles ficam com o passageiro pagante e nós levamos o chamado social, que não paga tarifa." A prefeitura reconheceu que há abusos, mas disse que o serviço está sendo fiscalizado.

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