Mais 80 famílias de trabalhadores rurais sem-terra acamparam às margens da BR-267, altura do quilômetro 71, no município de Bataguassu (334 quilômetros de Campo Grande). Elas se juntaram às outras 70 famílias que já estavam no local. A possibilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) desapropriar quatro fazendas na região está provocando uma corrida de trabalhadores sem-terra, cadastrados no Incra para receber lotes em assentamentos agrícolas de acordo com o Plano Nacional de Reforma Agrária.
A movimentação preocupa os fazendeiros, principalmente os proprietários das fazendas Aldeia, Santa Clara, Buriti e Montana, que estão indicadas para serem desapropriadas e integradas ao processo de reforma agrária no Estado, conforme informações de técnicos do Incra. As indicações teriam sido feitas pelas lideranças dos sem-terra. No final da noite de segunda-feira, um grupo de sem-terra que seguia para a região em três caminhões, foi dispersado por homens armados, no quilômetro 83 da BR-267. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bataguassu, João Vicente Ferreira, pelo menos 50 tiros foram disparados pelos pistoleiros.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul, Geraldo Teixeira de Almeida, disse que o clima no local é preocupante, já que o número de pessoas acampadas está crescendo rapidamente sem que o Incra dê uma solução definitiva sobre as quatro fazendas. Almeida lembra que são quase seis mil famílias já cadastradas, morando em barracas de lona em 21 municípios do Estado.
O deslocamento dos sem-terra para o Km 71 da BR-267, diz
o presidente da entidade, lembra o trecho da BR-163, para onde foram os oito mil sem-terra que ocuparam a fazenda Santo Antônio, em Itaquirai, no extermo sul do Estado.

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