Disputa por lixo causa tumulto entre recicladores
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Um tumulto entre recicladores da Cooperativa Regional de Coleta Seletiva e Reciclagem da Região Metropolitana de Londrina (Cooprelon), contratada no mês passado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), e recicladores da Cooperativa dos Profissionais de Reciclagem de Londrina (Cocepeve) precisou ser apaziguado com presença de fiscais da CMTU e da Guarda Municipal ontem de manhã na Vila Brasil (Área Central de Londrina).
De acordo com o reciclador Nelson de Azevedo, cooperados da Cooprelon ''invadiram'' uma região atendida pela Cocepeve. ''Faz dez anos que trabalho nesta área. A gente ia passar amanhã (hoje) para recolher os recicláveis, mas ficamos sabendo que esse pessoal da Cooprelon já estava recolhendo tudo e não ia sobrar nada para gente'', declarou.
De acordo com Azevedo, fiscais da CMTU e a Guarda Municipal foram chamados. Segundo ele, sete recicladores da Cooprelon estavam trabalhando no bairro. Ontem de tarde Azevedo, com outros recicladores, passou recolhendo lixo no bairro.
Ele afirmou que recentemente recebeu propostas para entrar na Cooprelon. ''Mas não compensa, eles querem pagar um salário mínimo para gente, enquanto quem está no comando vai ganhar bem'', criticou.
A presidente da Cocepeve, Sandra Araújo Barroso Silva, defende a contratação da cooperativa pelo município. Segundo ela a Cocepeve é pioneira na reciclagem em Londrina. ''Nós éramos uma associação, pediram para criar a cooperativa, pois nos contratariam. Eu criei a cooperativa, só faltava o barracão. Nós corremos atrás de vários barracões, sugerimos para a CMTU, mas não nos deram resposta'', afirmou.
De acordo com Odair Rodrigues, reciclador da Cooprelon, a cooperativa estava recolhendo o lixo na Vila Brasil ontem pois fazia parte de um mapa passado pela própria CMTU. ''A gente não sabia que a área era da Cocepeve, não queremos confusão. Eu sou catador há 11 anos fiz parte da Cocepeve, peço desculpas pelo que aconteceu'', afirmou.
Depois da confusão Rodrigues disse que os recicladores da cooperativa preferiram paralisar os trabalhos nos locais apontados pelo mapa da CMTU.
O presidente da CMTU, André Nadai, afirmou ontem que a Cooprelon tem aval da CMTU para fazer a coleta na Vila Brasil. ''Essas áreas eram atendidas por ongs ligadas à Cocepeve, mas está no contrato que Cooprelon deve atender este local'', afirmou. Segundo ele, técnicos da CMTU estão analisando a possibilidade de contratar a Cocepeve. ''Até final desta semana teremos a decisão'', disse.
A proposta para contratação da Cocepeve surgiu após uma reunião no Ministério Público, na semana passada. De acordo com a promotora do Meio Ambiente, Solange Vicentin, as discussões entre recicladores da cooperativa contratada pelo município e os da Cocepeve já aconteceram outras vezes. ''Por isso sugerimos que o contrato com a Cooprelon seja reestruturado e também que a Cocepeve seja contratada''.


