Disputa por fazenda ocupada mobiliza PM e MST no Pará
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terça-feira, 06 de julho de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 07 (AE) - Cerca de 350 famílias de sem-terra e cinco supostos proprietários da área estão brigando pela posse de uma fazenda em Tucuruí, no sudeste do Pará. A Justiça concedeu hoje liminar de reintegração de posse em favor do empresário Balduíno França. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) disse que os trabalhadores já ergueram casas no local e vão resistir a qualquer tentativa de despejo. "Não há comprovação de posse legal da área", afirmou o líder do MST na região, José Souza.
O prefeito de Tucuruí, Cláudio Furmam (PSDB), afirmou que a prefeitura tentou resolver o problema, mas o MST recusou a proposta. "Oferecemos outra área, fora do centro de Tucuruí, mas eles não quiseram".
A Polícia Militar, que tentou desocupar a fazenda no mês passado, montou nova operação para retirar os sem terra. A juíza Alda Gessiane Tuma determinou que a liminar de reintegração de posse seja cumprida pela polícia. O tenente-coronel Norberto Farias, que comanda a PM em Tucuruí, informou que espera ordens do comandante-geral, Faustino Neto, para despejar os lavradores.
O empresário França advertiu que os sem-terra "sairão de um jeito ou de outro " do local. "Temos essa área há bastante tempo, vendemos para terceiros e vamos cumprir nossa palavra", disse.
Grito da Terra - Hoje a cidade de Tucuruí foi invadida por 3.500 trabalhadores rurais de vários municípios da região. Eles participam do Grito da Terra, que reivindicam a desapropriação de fazendas, créditos para habitação, alimentação e plantio, além da regularização fundiária dos lotes.


