Disputa por 15 vagas em hospital de SP provoca tumulto; 3 mil pessoas tentaram se inscrever
Disputa por 15 vagas em hospital de SP provoca tumulto; 3 mil pessoas tentaram se inscrever17/Mar, 20:35 Por Cristina Charão São Paulo, 17 (AE) - Em busca de emprego, 3 mil candidatos a auxiliar de enfermagem enfrentaram mais de 12 horas de fila e muito empurra-empurra à espera dos formulários de inscrição para concorrer a 15 vagas no Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo. O tumulto na frente do hospital estadual, no bairro do Tatuapé, começou por volta das 10 horas e só foi controlado com a chegada de 20 soldados da Polícia Militar e 30 do Batalhão de Choque. Uma mulher foi retirada da multidão pelos policiais, porque desmaiou. Pelo edital de convocação, as inscrições deveriam ser feitas somente hoje, das 10 às 15 horas. Antes mesmo da chegada da polícia, a direção do hospital e a Secretaria de Estado da Saúde já haviam decidido prorrogar o prazo de inscrição para o concurso até quarta-feira. O salário oferecido pelo governo do Estado é de R$ 498,84. Às 10 horas, diante da fila que se estendia por mais de cinco quadras, os funcionários do hospital tentaram distribuir as fichas de inscrição para acelerar o processo. No momento em que abriram o portão, as pessoas começaram a se acotovelar para conseguir o formulário. Por isso, os policiais foram chamados pela direção do hospital. Organização - "Por que não organizaram isso mais cedo, quando já tinha um monte de gente aqui?", perguntou a auxiliar Rosilene Maria da Silva, desde as 4 horas aguardando na frente do hospital. Rosilene e os outros primeiros a chegar - na imensa maioria, mulheres - foram os que mais sofreram com a ação dos policiais. Na tentativa de reorganizar os candidatos, os soldados do Batalhão de Choque, usando escudos e cassetetes, empurravam a multidão, gritando para que voltassem à fila. A 200 metros de distância do início da fila, Salete Silva Barreto aguardava, às 14h30, para saber se ainda deveria esperar por uma senha. Formada há cinco meses no curso técnico (de auxiliar de enfermagem), ela ainda não conseguiu trabalhar na área. Muitos recém-formados engrossavam a fila sem saber que se exigia experiência nas especialidades do hospital (UTI neonatal e adulta, obstetrícia e ginecologia). Segundo informações da Assessoria de Imprensa do hospital, o edital de convocação, publicado apenas no Diário Oficial do Estado, descrevia claramente as exigências. Os requisitos acabaram se perdendo na "divulgação boca-a-boca". Às 15 horas, os funcionários do hospital distribuíram senhas para um número de pessoas que estimavam poder atender até as 17 horas. Os demais foram orientados a retornar entre segunda e quarta-feira, no mesmo horário (das 10 às 15 horas). Hoje, foram atendidos 1.700 candidatos. Mercado - O número de auxiliares de enfermagem registrados no Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo cresceu muito nos últimos dois anos. Cerca de 30 mil profissionais formaram-se em cursos públicos e privados de 98 a 99. Segundo a presidente do conselho, Ruth Leisert, o mercado de trabalho, nesse mesmo período, diminuiu. A Bolsa de Empregos mantida pela entidade tinha, até meados do ano passado, 500 inscritos. Hoje, conta com mais de 5 mil. "O fenômeno de hoje não pode ser considerado inesperado", disse.





