Curitiba- Adversidades políticas entre a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Estado podem deixar até 100 mil pessoas sem ônibus a partir da próxima segunda-feira, dia 28. A Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), órgão do governo do estado responsável pelo gerenciamento de projetos de interesse público na RMC, reafirmou ontem que, a partir da próxima segunda, interditará para obras o terminal de ônibus de Maracanã, na localidade de Alto Maracanã, em Colombo, município da região metropolitana.
A Urbs (Urbanização de Curitiba S/A), responsável pela operação do transporte público na capital e em 13 municípios da região metropolitana, informa não ter capacidade de mudar até segunda-feira as operações de Maracanã para o recém-construído terminal de Guaraituba, também em Colombo, três quilômetros distante de Alto Maracanã.
Ontem a Urbs divulgou um ofício enviado à Comec pedindo ''bom senso'' para não fechar o terminal. Na semana passada, depois de reclamações de usuários sobre as condições do terminal, a Comec anunciou a interdição do terminal para a conclusão de obras de reformas sugerindo que a Urbs transferisse as operações para Guaraituba.
''Não dá para remanejar tudo de uma semana para outra'', declarou o presidente da Urbs, Paulo Schmidt. ''A Urbs tem um conjunto de técnicos com conhecimento e condições para operar tanto o novo terminal quanto o terminal ampliado'', rebate Alcindino Bittencourt Pereira, coordenador da Comec. As entidades divergem até na data da comunicação do fechamento do terminal: A Urbs diz ter recebido ofício no dia 14, enquanto a Comec diz ter informado a empresa da prefeitura em outubro.
''Se for preciso, vamos entrar com medidas judiciais'', avisa Schmidt. ''A Comec não vai assumir as operações'', afirma Pereira. Schmidt diz que a atitude da Comec é ''motivada por outros interesses'', enquanto Pereira afirma que é preciso fechar o terminal para, por força de contrato com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), concluir a reforma dentro de um mês.
Prefeitura e governo divergem ainda na natureza das obras de ampliação do terminal. Para a Urbs, é possível manter o tráfego em meia-pista durante a reforma. Para a Comec, isso é impossível, já que enquanto uma pista estiver sendo concretada, a outra precisa receber as betoneiras usadas na obra.
A Urbs aponta ainda que a transposição das operações para Guaraituba resultaria num acréscimo de R$ 340 mil mensais em custos que não poderiam ser absorvidos pela empresa, provocando um aumento na tarifa. ''Temos uma política austera em relação à tarifa, e esse é um custo não previsto que causaria desequilíbrios'', afirma Schmidt. Pereira, da Comec, rebate dizendo que a mudança para Guaraituba diminuiria o quilômetro rodado pelas companhias, decrescendo, portanto, a conta do preço da passagem.

mockup