Campinas, SP, 24 (AE) - A disputa pelo poder no Departamento de Medicina Legal (DML) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo, fez dos peritos Fortunato Badan Palhares e Ricardo Molina de Figueiredo desafetos públicos.
Nos últimos anos, os dois vêm trocando acusações sobre supostas irregularidades no departamento, que corre o risco de ser extinto pelo Conselho Universitário. Em fevereiro de 1998, a dificuldade de relacionamento entre os dois havia provocado uma intervenção na unidade.
Na época, os interventores constataram baixa produção acadêmica e insuficiência de funcionários. O grupo recomendou a extinção do DML e o retorno ao status de disciplina, mas a Congregação da Faculdade de Ciências Médicas, formada por docentes e alunos, resolveu preservar a unidade. Esse ano, o departamento sofreu nova intervenção e, mais uma vez, a extinção foi recomendada, como forma de acabar com as disputas internas.
No início do ano, Figueiredo acusou Palhares de ter levado para o consultório particular um microscópio que pertencia ao DML.
Palhares nega a acusação e diz que Figueiredo teria violado arquivos de computador contendo informações confidenciais do DML. Antes de Figueiredo assumir a diretoria da unidade, o cargo era ocupado por Palhares.
Figueiredo garante que a rivalidade com Palhares não o influenciou no trabalho que resultou no laudo sobre a altura da namorada do empresário Paulo César Farias, o PC, Suzana Marcolino da Silva. "Não pode haver nenhuma suspeita a esse respeito porque realizamos um trabalho puramente técnico", afima. Para o perito, o episódio não "arranha" a imagem da Unicamp. "O fato de a Justiça ter procurado-nos para realizar uma perícia nas fotografias demonstra que a credibilidade na instituição não foi afetada."

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