A UEL (Universidade Estadual de Londrina) vive a expectativa para a definição de sua nova gestão. No dia 8 de abril, estudantes, professores e servidores técnico-administrativos escolherão o reitor e o vice-reitor para o próximo mandato. Duas chapas disputam a eleição que será em uma votação online das 8h às 22h. A comunidade universitária poderá votar por qualquer dispositivo eletrônico conectado à internet.

As duas chapas apresentam propostas sobre a autonomia universitária, permanência estudantil e modernização acadêmica. A Chapa 1 “Nossa Casa UEL” é formada pela professora Andréa Name Colado Simão (candidata a reitora) e pelo professor Miguel Belinati Piccirillo (candidato a vice-reitor). Na Chapa 2 "UEL Mais Forte" estão os professores Sérgio Carlos de Carvalho (candidato a reitor) e Marta Regina Gimenez Favaro (candidata a vice-reitora).

“É uma candidatura que nasce do anseio de sete centros [dos nove centros da UEL] de estudo da universidade”. É assim que a professora Andrea descreve a chapa 1, que defende uma gestão mais eficiente, mais transparente e mais voltada à sociedade.

A valorização da comunidade universitária é o foco principal das propostas apresentadas pela chapa. “O nosso plano de gestão foi focado principalmente na valorização e no cuidado às pessoas que fazem parte da comunidade universitária”, afirmou a professora Andréa. A proposta inclui uma gestão mais eficiente e transparente, baseada em planejamento e dados e na articulação entre ensino, pesquisa, extensão e inovação, além da assistência prestada à sociedade.

Segundo Andrea, a extensão universitária aparece como um ponto estratégico. Ela defende iniciativas com impacto social. Para colocar esses projetos de extensão em prática, a professora sugere uma reorganização do orçamento da universidade. Ela afirma que um orçamento priorizando gastos e uma gestão baseada em dados evita uma dependência de editais.

O plano de gestão da chapa 1 também propõe uma aproximação com a sociedade. “Nós queremos uma participação mais efetiva da universidade nas governanças da Estação 43”, disse. Ela defende a reativação do conselho consultivo desativado, segundo ela, desde 2018. A criação de novos cursos também está na pauta. “Isso tem que ser uma política institucional. Ir para a sociedade ver quais os cursos de interesse para a região de Londrina”, disse Andrea.

A chapa 1 também destaca a limitação de pessoal como um desafio urgente e a integração da extensão aos cursos. “Nós precisamos organizar projetos e possibilitar que os estudantes e também os docentes possam realizar essa extensão”, afirmou a professora Andrea.

A valorização dos servidores aparece ainda como prioridade, incluindo capacitação e melhores condições de trabalho, assim como a permanência estudantil e a saúde mental. "Nós precisamos ter uma política de proteção à saúde mental”, disse a professora Andrea, ao apontar que dificuldades nessa área têm impactado a trajetória acadêmica dos estudantes.

Continuidade

O professor Sérgio Carlos de Carvalho afirma que as propostas da chapa 2 foram construídas de forma coletiva focadas no fortalecimento do papel público da instituição. A proposta central parte de uma visão compartilhada de universidade como agente de transformação social. “Temos uma visão comum de universidade, que a universidade é um instrumento público fundamental, importante para o desenvolvimento econômico, social de uma sociedade”, afirmou.

Nesse sentido, ele defende que o acesso e a permanência estudantil sejam garantidos por regras democráticas, abrangendo graduação e pós-graduação, com o objetivo de formar profissionais comprometidos com um país mais justo, igualitário, soberano e socialmente referenciado”.

Entre as ações práticas previstas, está a expansão da oferta de cursos. “Nós estamos propondo a implementação de mais seis cursos na nossa instituição nesse período”, disse Carvalho, destacando que parte deles já possui aprovação interna, dependendo ainda de financiamento estadual.

Outra prioridade é o fortalecimento da permanência estudantil, com a ampliação de bolsas e oportunidades de iniciação profissional. “Bolsas de ensino iniciantes, que eles já comecem a se inserir e ter prática profissional já durante a graduação, com uma remuneração que possa ajudá-los a permanecer dentro da instituição”, explicou.

A proposta também inclui medidas de eficiência administrativa para ampliar recursos. O candidato da chapa 2 cita iniciativas já implementadas, como a geração de energia própria por meio de usina fotovoltaica que vai economizar recursos que devem ser investidos nas ações de ensino, pesquisa, extensão e permanência estudantil.

A chapa 2 aposta na continuidade de gestões anteriores, destacando a experiência acumulada em períodos recentes. Carvalho foi reitor da UEL na gestão 2018-2022 e a candidata a vice, Marta Regina Gimenez Favaro, é a atual reitora. “Os desafios que se colocam para as universidades, particularmente para a UEL, exigem experiência, serenidade e que sejam pessoas que foram testadas nas grandes crises da universidade”, declarou Carvalho, lembrando a atuação durante a pandemia de Covid-19.

Entre os principais desafios apontados pela chapa 2 está o modelo de financiamento das universidades estaduais. Carvalho critica a legislação atual por não contemplar especificidades da UEL, especialmente os órgãos que prestam serviços à comunidade. “O grande desafio é fazer com que o Estado entenda que esses órgãos da UEL, que são órgãos de prestação de serviço à sociedade, são passíveis de financiamento público”, afirmou o professor.

O período de campanha tem sido marcado por discussões intensas. Foram realizados três debates e, na reta final de campanha, as ações estão voltadas para o corpo a corpo com a comunidade universitária.

Campanha salarial

Os professores da UEL suspenderam na última quarta (1) o estado de greve em que se encontravam, mas avisaram que seguem com as negociações de reivindicação da reposição salarial. Na terça-feira (31), a Alep (Assembleia Legislativa do Paraná) aprovou reajuste de 5% , proposta classificada pela categoria como “insignificante” e “uma afronta ao funcionalismo público”.

Em fevereiro, o CSD (Comando Sindical Docente) protocolou ofício junto à Seti (Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior) reafirmando a defasagem salarial de 52,18% da categoria.

O documento pedia uma intervenção imediata do secretário para a abertura de uma mesa de negociação com o Governo do Estado.

Os candidatos à nova gestão da universidade comentaram a questão. A chapa 1 reconhece a defasagem salarial e defende a atuação da reitoria em articulação com outras instâncias. “A reitoria, na minha avaliação, pode ajudar, guardada sim, lógico, as devidas proporções. São responsabilidades diferentes as da reitoria e do sindicato. Mas eu acredito que a reitoria pode ajudar muito levando reivindicações”, disse a professora Andrea.

Embora reconheça a legitimidade das reivindicações sindicais, o professor Carvalho diferencia os papéis de gestor e docente. “Existe uma convergência entre o gestor e o professor que é filiado ao sindicato”. Ele defende a reposição salarial como forma de atrair e manter profissionais qualificados. Ele alerta ainda para o risco de perda de competitividade no futuro. “A gente pode deixar de atrair talentos”.

QUEM É QUEM

Chapa 1

Andreia Name Colado Simão: Docente do curso de farmácia, foi chefe do Departamento de Ciência Farmacêuticas e diretora do Centro de Ciências da Saúde.

Miguel Belinati Piccirilo: Professor do curso de direito, foi chefe de departamento e atuou como diretor do Centro de Estudos Sociais e Aplicados.

Chapa 2

Sérgio Carlos de Carvalho: Sua trajetória acadêmica é ligada as Ciências Exatas. Foi reitor da UEL na gestão 2018-2022.

Marta Regina Gimenez Favaro: É a atual reitora da UEL (mandato 2022-2026). Já foi pró-Reitora de Graduação (Prograd), diretora de Apoio à Ação Pedagógica e coordenadora do curso de pedagogia.

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